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Saúde e Bem-estar Diagnóstico

Diagnóstico de dengue em Minas Gerais pode ser até cinco vezes mais rápido

Diagnóstico de dengue em Minas Gerais pode ser até cinco vezes mais rápido

27/04/2014 às 14h00
Por: Adelino Júnior
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Mutirao da dengue

Fundação Ezequiel Dias recebeu kits de reagentes que permitirão adotar metodologia mais rápida no diagnóstico de casos especiais da doença

Referência estadual no diagnóstico da Dengue, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) – órgão do Sistema de Saúde de Minas Gerais - recebeu na última semana um importante aliado no diagnóstico da doença. A partir da doação de kits de reagentes feita pelo CDC - Center for Disease Control, de Atlanta, nos Estados Unidos, a Funed poderá fazer o diagnóstico da dengue no equipamento PCR em tempo real. Entre as vantagens da nova metodologia, está a emissão do laudo em até cinco dias úteis, ou seja, cinco vezes mais rápido que o exame adotado atualmente para sorotipagem (isolamento viral), que tem prazo de até 30 dias para conclusão.

De acordo com a referência técnica do Laboratório de Biologia Molecular da Funed, Felipe Iani, o PCR em tempo real, além de mais sensível e específico, é a metodologia de diagnóstico mais moderna que existe no mundo, na atualidade. O PCR detecta partes específicas do DNA de cada sorotipo viral. “O Isolamento Viral, considerado atualmente padrão-ouro para o diagnóstico do vírus da dengue, é utilizado para sorotipar em dengue tipo 1, 2 , 3 e 4 e, assim, identificar qual o tipo de vírus que circula em cada região do estado. Ele tem um prazo de aproximadamente de 25 a 30 dias para a liberação do resultado, pois depende da multiplicação do vírus em células cultivadas. Após o período de incubação, são feitas lâminas com estas células e o vírus é identificado por meio de anticorpos fluorescentes contra cada sorotipo viral. Com o diagnóstico via PCR em tempo real, o nosso prazo será de apenas cinco dias, aproximadamente”, explica Felipe.

A Fundação já possuía o equipamento PCR em tempo real desde 2010, quando foi adquirido para realizar diagnósticos do vírus da Influenza, seguindo, assim, o protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde para a análise deste vírus respiratório. A novidade é que com a chegada dos reagentes, o equipamento será utilizado também para o diagnóstico da dengue. “Conseguimos importar, sem custos, os kits de reagentes necessários, após o contato realizado com o CDC, órgão norte-americano que é referência no diagnóstico e controle de doenças potencialmente epidêmicas, que fez a doação. Tais reagentes podem ser adquiridos comercialmente, mas o alto custo encarece e dificulta a adoção do PCR como um diagnóstico de rotina. Os reagentes recebidos serão um aporte a mais para atender a nossa demanda atual que tende a crescer”, destaca o profissional.

Aplicação em casos especiais

Apesar de a metodologia ser a mais avançada que existe na atualidade, Iani explica que essa técnica só será utilizada na Funed em casos específicos de diagnóstico, como os agudos, óbitos e em algumas situações conclusivas, para confirmação do diagnóstico. “O grande avanço é que nós já estamos aptos para realizar o diagnóstico do sorotipo do vírus nessa metodologia. O segundo passo agora é definir e estabelecer critérios, a partir de uma nota técnica, para casos que deverão ser apurados por meio dela. O próprio Laboratório de Dengue da Funed irá determinar qual o método de análise será empregado em cada situação especifica, sempre considerando o controle epidemiológico e a proteção da saúde da população”, afirma.

A expectativa é que na próxima semana, a Funed já comece a liberar resultados no sistema Gerenciamento de Ambiente Laboratorial (GAL) – software de cadastro e liberação de resultados – com essa nova metodologia de diagnóstico.

"Ficamos satisfeitos em contribuir para o SUS com ações inovadoras, que visam possibilitar o cumprimento efetivo de nossa missão organizacional. A equipe está de parabéns e esperamos que estes avanços logo se revertam em resultados concretos para a população, com diagnósticos cada vez mais rápidos e precisos", disse o presidente da Funed, Francisco Tavares.

Métodos de diagnósticos

O diagnóstico da dengue pode ser feito pesquisando tanto o vírus como anticorpos presentes nas amostras dos pacientes com a doença. Na Funed, são realizadas ambas as análises, por meio de várias metodologias. Na pesquisa do vírus, é possível saber qual é o sorotipo, utilizando-se tanto a metodologia do Isolamento Viral quanto oPCR. “Esse tipo de diagnóstico é feito sob uma coleta orientada, para, assim, descobrir qual o sorotipo está circulando em cada região do estado. Outro modo é o diagnóstico de rotina, que é mais frequente e que se faz a pesquisa de anticorpos. Nesse caso, só é possível saber se o diagnóstico é positivo ou negativo, mas não é possível precisar o sorotipo do vírus”, explica a referência técnica e responsável pelo Laboratório de Dengue e Febre Amarela da Funed, Maira Alves Pereira.

Referência

Hoje, a Funed é responsável por realizar o diagnóstico de toda a região Central do Estado, além de fazer o Controle de Qualidade e exames sorológicos confirmatórios dos laboratórios macrorregionais e municipais. Além disso, a Fundação é responsável por coordenar todos os laboratórios da Rede de Laboratórios de Saúde Pública de Minas Gerais (RELSP-MG). Essa rede é composta por cinco laboratórios macrorregionais (Pouso Alegre, Uberaba, Montes Claros, Teófilo Otoni e Juiz de Fora), que são responsáveis por atender às suas respectivas regiões; e sete laboratórios municipais (Belo Horizonte, Contagem, Betim, Ipatinga, Timóteo, Sete Lagoas e Nova Lima).

Em 2014, a Funed já processou 3.820 amostras de dengue até o final de março. Isso, levando-se em consideração o diagnóstico de rotina. Quanto à técnica de isolamento viral, foram processadas cerca de 500 amostras até o mesmo período. A analista do Laboratório de Dengue e Febre Amarela da instituição, Eliza de Souza Lopes, explica que não é possível precisar uma média mensal de amostras processadas já que em períodos de epidemia a demanda é bem maior. “Como a dengue é uma doença sazonal, a entrada de amostras no primeiro semestre é bem maior que no segundo pela própria característica do mosquito e também do clima”, afirma.

Fonte: Agência Minas

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