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Gastos

Gastos milionários na saúde pública com acidentes de trânsito registrados em Minas

Gastos milionários na saúde pública com acidentes de trânsito registrados em Minas

25/09/2014 às 10h55
Por: Adelino Júnior
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As alarmantes estatísticas de acidentes no trânsito representam um gasto público de R$ 230 milhões ao ano. O montante corresponde às despesas do Ministério da Saúde com quase 170 mil vítimas internadas em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), em 2013.

Se considerados os valores dispensados pela Previdência Social, com aposentadorias precoces por invalidez e auxílio-doença, o prejuízo é ainda maior. Em Minas, a média diária de 49 internações, registradas no primeiro semestre deste ano, já soma uma despesa de R$ 18,8 milhões.

O crescimento exponencial dos acidentes, motivados sobretudo por imprudência, é comprovado por números e cifras. Somente em Minas, os atendimentos com internação aumentaram 28% nos últimos quatro anos, passando de 16.347 em 2010 para 20.929 no ano passado.

Já os gastos, saltaram de R$ 28,3 milhões para R$ 34,6 milhões, no mesmo período, aumento de 22%.

No topo dos atendimentos mais recorrentes em Minas estão as cirurgias de politraumatismo que, este ano, até junho, já representam 34% do total de procedimentos realizados nos hospitais do SUS.

Segundo o cirurgião do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na capital, Paulo Roberto Lima Carreiro, para cada três acidentados, pelo menos um terá sequelas, a maior parte delas de ordem neurológica, seguida pelas medulares (paraplegias e tetraplegias) e ortopédicas, que podem gerar de amputações de membros a incapacidade profissional.

HPS registra, em média, 36 ocorrências por dia

Maior hospital de trauma da América Latina, o HPS João XXIII, em Belo Horizonte, referência no Estado em atendimento de urgência, recebe, em média, 36 acidentados no trânsito, por dia. A maioria dos casos acontece na capital e vitima em mais de 60% das vezes os motociclistas.

A técnica em Segurança do Trabalho Cristiana Angélica Soares Araújo, 34 anos, entrou para as estatísticas há 19 dias, quando foi “atropelada” por um caminhão e arrastada por mais de 30 metros, na avenida Cristiano Machado, região Nordeste da capital.

Afastada do trabalho e sem perspectiva de receber alta, só tem uma certeza: vai abandonar a moto.

“Não sei apontar um culpado. Eu passei para frente do caminhão e o sinal abriu em seguida. Imagino que ele não tenha me visto, talvez por eu estar no ponto cego do veículo. Não quero mais saber de moto, meu marido vai consertá-la e depois vender”, diz.

 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), de janeiro a julho deste ano foram contabilizadas 3.542 internações em hospitais públicos da capital, somando um gasto de R$ 6,5 milhões. Somente no HPS, que recebe pacientes do Estado todo, foram mais de 8 mil casos até o último dia 31.

 

Para o especialista em trânsito Silvestre de Andrade, acidentes como o de Cristiana são um fenômeno de múltiplas causas, entre as quais ele destaca a sensação de impunidade por parte da população e a própria tolerância da Justiça com a violência.

“Temos, por uma questão cultural e estrutural, uma postura de ter pena de quem comete as infrações e, consequentemente, os crimes. De defender o culpado mais do que a própria vítima. Somado a isso, uma fiscalização falhaimage e as poucas condenações aos crimes de trânsito”, avalia.

FIANÇA

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7.262/14, que visa a destinar ao Fundo Nacional de Saúde (gestor financeiro do recursos do SUS) os recursos arrecadados com pagamento de fianças para liberação de prisão decorrente de infrações de trânsito.

Atualmente, os valores arrecadados, fixados pela autoridade policial ou pela Justiça conforme a pena prevista para o crime, são revertidas ao Fundo Penitenciário.

Para a juíza Maria Isabel Fleck, da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte, a proposição é positiva. “Acho a proposta interessante. Mesmo porque a gente vê que o sistema carcerário como um todo está falido”, argumenta.

Estresse dos motoristas amplia as situações de riscos no trânsito

Somado às situações de imprudência e falta de atenção no trânsito, outro gatilho para os acidentes é o estresse. Provocado por um estímulo negativo constante, torna-se patológico quando ultrapassa a capacidade pessoal de suportá-lo. Em muitos casos, é responsável ainda por mudanças severas de hábitos e comportamentos.

A advogada Poliana Ribeiro, de 33 anos, por exemplo, foi “forçada” a abandonar o carro para chegar ao trabalho. Trocou a irritação diária que sofria indo no próprio veículo, do Barreiro para o Centro, pela comodidade do transporte público.

“Tinha que ficar atenta o tempo todo, a tudo, e ao comportamento dos outros também, principalmente para não derrubar motociclista. Tem pedestre que passa na frente sem olhar o sinal e ainda há o risco de assalto”, enumera algumas situações que somaram pontos para a mudança de rotina.

A história dela, no entanto, não é um caso isolado. Segundo a psiquiatra e psicanalista Gilda Paoliello, membro da diretoria da Associação Mineira de Psiquiatria, reações de irritabilidade desproporcional e o próprio estresse são características comuns ao nosso cotidiano.

Para enfrentá-las, recomenda organizar melhor o tempo, ouvir músicas relaxantes no carro e alongar-se enquanto enfrenta congestionamentos.

“Fique atento ainda aos sinais clínicos como irritabilidade desproporcional a pequenos estímulos, sensação permanente de cansaço, insônia e mau humor e a reações inesperadas com agressividade e violência”, ensina.

Fonte: Hoje em Dia

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