O número de trabalhadores afastados do emprego por causa do vício em apostas disparou em Minas Gerais. Dados do Ministério da Previdência Social revelam que as licenças concedidas pelo INSS saltaram de 6 casos em 2021 para 83 em 2025. Esse crescimento representa uma alta de 1.283% em um intervalo de apenas cinco anos.
Desde o início da série histórica, o estado somou 185 benefícios por incapacidade temporária motivados pelo diagnóstico de transtorno mental de hábito e impulso. Os registros cresceram continuamente no território mineiro. Em 2022, foram registrados 10 casos; no ano seguinte, o índice subiu para 25. Em 2024, o órgão contabilizou 61 licenças, culminando no recorde registrado no último ano.
Os dados contemplam exclusivamente os segurados do Regime Geral de Previdência Social que necessitaram de afastamentos superiores a 15 dias. Portanto, a estatística não inclui licenças curtas ou servidores públicos regidos por sistemas próprios.
Impactos no mercado de trabalho e discussão jurídica
A compulsão por jogos virtuais traz reflexos diretos para o ambiente corporativo. Consequentemente, aumenta a queda de produtividade e os casos de justa causa. A advogada especialista em direito cível Fernanda Jatobá explica que a condição afeta a rotina das empresas, manifestando-se por meio de faltas frequentes, queda no desempenho e até relatos de desvios financeiros para custear os jogos. Além disso, o uso excessivo do celular durante a jornada de trabalho tornou-se uma prática recorrente.
Diante do crescimento de casos, o Tribunal Superior do Trabalho debate equiparar a ludopatia ao alcoolismo para fins de proteção ao emprego. O objetivo consiste em evitar demissões discriminatórias quando houver comprovação médica. O ministro do TST Alexandre Agra Belmonte defende a adoção de critérios técnicos para diferenciar atitudes de indisciplina laboral de quadros clínicos que necessitam de intervenção médica e amparo legal.
No cenário nacional, o auxílio por incapacidade temporária relacionado ao jogo patológico cresceu 6.140% em dez anos, passando de 5 licenças em 2016 para 312 em 2025.
Atendimentos em saúde mental disparam na capital
A busca por suporte psicológico também apresentou forte avanço em Belo Horizonte. A Prefeitura informou que registrou 206 atendimentos médicos ligados ao transtorno apenas até julho de 2026. O volume corresponde a 78% do total anotado em todo o ano de 2025, quando o município realizou 263 atendimentos — alta de 324% sobre o ano anterior.
A psicóloga e conselheira do Conselho Regional de Psicologia, Laura Lobo, aponta que as apostas virtuais não devem ser encaradas como entretenimento, mas como um comportamento de alto risco. A especialista destaca que o acesso contínuo aos jogos pelo celular acelera a perda de controle, provocando sofrimento emocional, culpa e severos prejuízos financeiros.
O atendimento aos afetados ocorre nos Centros de Atenção Psicossocial e unidades de saúde mental. Para mitigar os danos, o Governo Federal também disponibilizou ferramentas de autoexclusão e imposição de limites em aplicativos de apostas.

