Burnout dispara 823% e amplia desafios para empresas, revela pesquisa 

Estudo aponta que esgotamento profissional gerou mais de 1,5 mil afastamentos apenas no início de 2026.

Lorena Marques
Foto: Getty Images

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 1.528 afastamentos por esgotamento profissional. Esse aumento expressivo do burnout acende um alerta vermelho no mercado corporativo nacional. Consequentemente, o número de registros quase dobrou entre os meses de janeiro e março deste ano. A tendência reflete o cenário de 2025, que fechou com o recorde histórico de 530 mil afastamentos por transtornos mentais.

Cidades do Triângulo Mineiro, como Uberlândia, Ituiutaba e Araguari, também acompanham essa tendência de atenção à saúde mental do trabalhador. Diante desse quadro alarmante, especialistas buscam entender as causas desse crescimento invisível, mas devastador.

O impacto financeiro e a alta rotatividade

Os casos de burnout cresceram impressionantes 823% entre 2021 e 2025. Nesse período de quatro anos, os registros oficiais saltaram de 823 para 7.595 casos. Além do sofrimento humano, essa crise gera um prejuízo financeiro colossal. Estima-se que o esgotamento cause um impacto econômico de quase R$ 400 bilhões por ano devido à perda de produtividade, faltas e desligamentos.

De acordo com Tiago Santos, vice-presidente da Sesame HR, as empresas demoram muito para perceber os sinais. Ele aponta que existe um “intervalo invisível” antes da demissão. Nesse período, o funcionário continua presente fisicamente, mas já reduziu sua produção e busca silenciosamente uma nova oportunidade no mercado.

Atualmente, o Brasil lidera a taxa de rotatividade de pessoal no mundo, com índice de 56% ao ano. Perder um colaborador custa caro. Afinal, repor um funcionário pode custar entre 50% e 200% do seu salário anual, considerando os custos de recrutamento, treinamento e adaptação.

Falta de feedbacks agrava o cenário

Outro problema grave reside na falta de diálogo contínuo. Atualmente, apenas 36% das empresas brasileiras realizam sessões regulares de feedback entre gestores e colaboradores. Além disso, cerca de 26% dos profissionais afirmam que nunca recebem nenhuma avaliação formal de desempenho.

Sem esse canal aberto, o trabalhador que enfrenta os casos de burnout não consegue sinalizar suas dificuldades. Da mesma forma, os gestores perdem a oportunidade de agir de maneira preventiva. O perfil dos afastamentos reforça essa urgência, pois os transtornos de ansiedade representaram 86% das ocorrências de saúde mental nos últimos anos. Por outro lado, apenas 12% das empresas no país oferecem suporte psicológico como benefício corporativo.

Tecnologia e prevenção contínua

Para solucionar a crise, Tiago Santos defende o monitoramento contínuo em vez de programas isolados de bem-estar. O caminho ideal envolve o acompanhamento mensal de indicadores que as próprias empresas já possuem em seus sistemas.

Desse modo, o RH deve monitorar de perto quatro métricas essenciais:

  • O absenteísmo por setor corporativo;
  • A recorrência de afastamentos médicos curtos;
  • A taxa de rotatividade por área;
  • A variação do engajamento ao longo do tempo.

Ao cruzar esses dados de forma automatizada, os gestores conseguem identificar a deterioração do clima organizacional antes que ela se transforme em desligamento. Portanto, a tecnologia serve como uma importante aliada para prevenir os casos de burnout e construir ambientes de trabalho mais saudáveis.

As informações são do portal Diário do Comércio.

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