A Retatrutida, caneta emagrecedora em desenvolvimento pela farmacêutica Eli Lilly, apresentou perda média de 23,4% do peso corporal em pacientes com diabetes tipo 2 e índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35. O resultado foi observado após 80 semanas entre os participantes que receberam aplicações semanais de 12 miligramas, a maior dose testada.
Os 23,4% correspondem a um recorte da pesquisa. Considerando todos os pacientes que receberam 12 miligramas, inclusive aqueles com IMC inicial abaixo de 35, a redução média foi de 20,8%.
O estudo TRIUMPH-2 acompanhou 1.152 adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou sobrepeso, divididos entre três doses de retatrutida e placebo. Os resultados foram divulgados pela Lilly, apresentados em um congresso europeu sobre diabetes e publicados na revista científica The Lancet.
Perda de peso variou conforme a dose e o perfil dos pacientes
As reduções médias divulgadas foram:
- 4 miligramas: 12,7% do peso corporal.
- 9 miligramas: 19,1%.
- 12 miligramas, considerando o grupo completo: 20,8%.
- 12 miligramas, apenas entre pacientes com IMC inicial igual ou superior a 35: 23,4%.
- Placebo: 4%.
Portanto, 20,8% e 23,4% são resultados da mesma dose, mas calculados em grupos diferentes. O segundo percentual considera somente os participantes que começaram o tratamento com IMC mais elevado.
Ao final do acompanhamento, 59,5% dos pacientes tratados com 12 miligramas deixaram de atender ao critério de IMC para obesidade, conforme os dados apresentados pelo InfoMoney.
Como a Retatrutida funciona
A retatrutida atua nos receptores de três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon. Essa combinação envolve mecanismos relacionados à glicose, ao apetite e ao metabolismo energético.
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua nos receptores de GLP-1 e GIP. Apesar da diferença, o estudo não permite concluir que a retatrutida seja superior ao Mounjaro, pois a comparação foi feita com placebo.
Medicamento ainda está em desenvolvimento
Entre os efeitos adversos mais frequentes estavam diarreia, náusea, constipação e vômitos, geralmente leves ou moderados. O estudo também identificou melhora no controle da glicose.
A retatrutida ainda é experimental e não está disponível para comercialização. A Lilly pretende solicitar aprovação à agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, no primeiro trimestre de 2027.

