O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) divulgou orientações preventivas sobre a febre do Nilo Ocidental em Uberlândia. A iniciativa surgiu após o Ministério da Saúde confirmar quatro casos da doença no Brasil em 2026. Embora a infecção seja rara no território nacional, as autoridades reforçaram os protocolos de vigilância após uma morte em Santa Catarina e registros em municípios próximos do interior paulista.
Diante de qualquer caso suspeito, os profissionais do HC-UFU enviam amostras biológicas para o Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen Ezequiel Dias). O procedimento segue as diretrizes da nota técnica do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-MG).
Como ocorre a transmissão da doença
O vírus chega aos seres humanos por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo comum. No entanto, a médica infectologista do HC-UFU, Francielly Marques Gastaldi, esclarece que o risco de disseminação em larga escala permanece baixo.
“Apesar de ser transmitida pela picada de um mosquito, a transmissão é reduzida, pois não ocorre contaminação do mosquito, geralmente, ao picar o humano doente. Para a perpetuação do ciclo, torna-se necessário aves doentes”, destacou a infectologista.
Alerta regional e manifestações clínicas
O Brasil registrou dois casos recentes no estado de São Paulo, especificamente em Ribeirão Preto e em São José do Rio Preto. Apesar da proximidade geográfica dessas cidades com o Triângulo Mineiro, a especialista pede serenidade aos moradores.
Segundo a médica, cerca de 80% das pessoas infectadas não manifestam sinais clínicos. Quando os sintomas surgem, eles se assemelham aos da dengue:
- Febre repentina e mal-estar geral;
- Dores musculares, de cabeça e atrás dos olhos;
- Vômitos e manchas vermelhas pelo corpo;
- Ínguas ou aumento dos gânglios linfáticos.
Contudo, complicações severas podem ocorrer em idosos e indivíduos imunossuprimidos, representando cerca de um caso a cada 150 pacientes sintomáticos. Nessas situações raras, o quadro pode evoluir para meningite asséptica, encefalite ou Síndrome de Guillain-Barré.
Tratamento e formas de prevenção
Atualmente, a medicina não dispõe de um antiviral específico para combater a febre do Nilo Ocidental. Dessa forma, as equipes médicas adotam terapias de suporte clínico e controle de sintomas para garantir a recuperação completa do paciente.
Por isso, as equipes de saúde recomendam o uso frequente de repelentes corporais e telas de proteção em janelas. Além disso, as secretarias de saúde mantêm o monitoramento constante em parceria com os centros de controle de zoonoses para identificar precocemente eventuais aves infectadas na região.

