Hospital do Câncer de Barretos realiza cirurgia inédita a 2.700 km de distância pelo SUS

Equipe médica comandou, de Barretos (SP), uma cirurgia robótica em paciente com câncer de reto internado em Porto Velho (RO), marcando a primeira telecirurgia oncológica de longa distância da rede pública.

Eloi Naves
Médicos oncologistas do Hospital de Amor, em Barretos
Médicos do Hospital de Amor, em Barretos, que realizaram operação remota em paciente no Norte do BrasilFoto: Hospital de Amor

O Hospital do Câncer de Barretos (Hospital de Amor) protagonizou um marco para a medicina brasileira ao realizar a primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento conectou, em tempo real, a sede da instituição em Barretos (SP) ao Hospital de Amor da Amazônia, em Porto Velho (RO), permitindo que médicos comandassem uma cirurgia a aproximadamente 2.700 quilômetros de distância. 

O paciente, diagnosticado com câncer de reto, permaneceu no centro cirúrgico em Rondônia, enquanto parte da equipe médica controlava remotamente o robô cirúrgico Toumai a partir de Barretos. Durante todo o procedimento, uma equipe completa de cirurgiões, anestesistas e profissionais de enfermagem permaneceu ao lado do paciente, preparada para assumir imediatamente a operação caso fosse necessário. 

A cirurgia retirou parte do reto e do cólon sigmoide do paciente. Os movimentos realizados pelos especialistas em Barretos foram transmitidos em tempo real ao robô instalado em Porto Velho por meio de uma infraestrutura de conectividade de alta performance, com fibra óptica, redundância via 5G e sistemas de segurança para garantir estabilidade e baixa latência durante toda a operação. 

Tecnologia pode ampliar acesso a especialistas

Segundo o Hospital de Amor, a iniciativa demonstra como a combinação entre cirurgia robótica e conectividade pode ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade em regiões distantes dos grandes centros. A proposta é permitir que hospitais equipados realizem cirurgias com apoio remoto de especialistas, reduzindo desigualdades no atendimento oncológico. 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou o procedimento e afirmou que a tecnologia permitirá que pacientes realizem cirurgias complexas mais perto de casa, sem necessidade de deslocamento para grandes centros. O governo federal também trabalha na implantação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança para expandir esse modelo de atendimento. 

Estrutura local continua indispensável

Apesar de o comando da cirurgia ser remoto, todo o suporte hospitalar permanece no local onde está o paciente. Isso inclui hospital de alta complexidade, equipe médica presencial, anestesistas, enfermagem, energia elétrica estável, sistemas de comunicação redundantes e profissionais aptos a assumir imediatamente o procedimento em caso de falha tecnológica. As exigências seguem normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), que regulamentou a telecirurgia em 2022. 

Expansão da cirurgia robótica

A iniciativa ocorre em um momento de expansão da cirurgia robótica no SUS. Neste mês, o Ministério da Saúde incorporou a prostatectomia radical assistida por robô à tabela de procedimentos da rede pública, inicialmente para casos de câncer de próstata em hospitais habilitados. A expectativa é ampliar gradualmente a oferta da tecnologia para outras especialidades e regiões do país. 

O Hospital de Amor também está construindo, em Barretos, um Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica, voltado à formação de profissionais, desenvolvimento de pesquisas e ampliação do acesso a procedimentos de alta tecnologia pelo SUS. 

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