A Aliança Nacional em Defesa da Ética na Saúde Suplementar (Andess) iniciou um importante processo de expansão pelo país. Dessa forma, a entidade instalou em Minas Gerais a sua primeira representação regional. O objetivo principal do projeto é combater de forma direta as práticas abusivas cometidas pelas operadoras de assistência médica no estado.
Essa nova estrutura oferecerá suporte jurídico, técnico e também institucional aos usuários. Além disso, o grupo pretende manter uma articulação constante com o Ministério Público, com o Poder Judiciário estadual e com os órgãos de defesa do consumidor.
Fortalecimento das ações locais contra abusos
A coordenação do novo núcleo mineiro ficará sob a responsabilidade do advogado Gabriel Massote. Ele é especialista em Direito à Saúde e atua como presidente da Comissão de Saúde da OAB de Uberlândia.
Com essa descentralização, a Andess quer aproximar as suas ações da realidade vivida pelos cidadãos em cada município.
De acordo com o presidente nacional da entidade, José Ramalho Neto, o plano de expansão prevê a criação futura de unidades em todos os estados do país. Ele ressaltou a importância desse avanço regional diante do atual cenário de crise na saúde suplementar.
A perspectiva é que exista um núcleo funcional em todos os estados. A instrumentalização destes núcleos facilita o trabalho de enfrentamento, traz novas informações, acolhe novas denúncias e dá voz aos pacientes, consumidores e profissionais. Considerando a ineficiência regulatória, ratificada por relatórios recentes que mostram o crescimento de reclamações, é de extrema importância a implementação de ações como os Núcleos da ANDESS e o Procon Saúde, declarou o presidente.
Como denunciar irregularidades de forma direta
Para facilitar o contato com a população, a associação disponibilizou o e-mail denuncia@andess.org. Desse modo, qualquer pessoa pode enviar relatos sobre negativas de cobertura de exames, recusas de cirurgias ou outras falhas na prestação de serviços. Em breve, a instituição deve lançar novos canais de atendimento, que incluem um aplicativo próprio, linha telefônica e suporte via WhatsApp.
Segundo Gabriel Massote, muitas arbitrariedades ocorrem de maneira silenciosa no cotidiano dos usuários de convênios médicos. Por esse motivo, as reclamações costumam chegar de forma muito fragmentada aos órgãos de controle do governo.
Nosso objetivo é criar mecanismos que facilitem o recebimento dessas denúncias e permitam que essas informações cheguem de forma mais rápida às instituições responsáveis pela fiscalização e pela defesa dos consumidores. Quanto mais próximos estivermos dos usuários, maior será nossa capacidade de identificar problemas e contribuir para soluções efetivas, explicou o coordenador mineiro.
Essa mobilização ganha força diante do aumento expressivo de conflitos no setor de saúde privada. Conforme os dados consolidados da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, as reclamações contra planos de saúde quase triplicaram no país nos últimos anos. Os registros de negativas de cobertura e cancelamentos unilaterais de contratos subiram mais de 270% no mesmo período analisado.

