A Prefeitura de Uberlândia homologou a concessão de uso que repassa a gestão e a exploração do mobiliário urbano à iniciativa privada pelas próximas duas décadas. A licitação foi vencida pela empresa paulista Eletromidia Concessões e Participações Societárias Ltda. A concessionária investirá mais de R$ 17,1 milhões no gerenciamento dos dispositivos. Embora a gestão municipal defenda que o modelo possui “custo zero” para os cofres públicos, a contrapartida real envolve a exposição dos cidadãos a anúncios constantes e o monitoramento em tempo real.
O governo municipal projeta receber um repasse de R$ 3,4 milhões apenas no primeiro ano de vigência do contrato. Em contrapartida, a empresa adquire o monopólio da exibição publicitária comercial em pontos estratégicos de tráfego por um longo período.
Vigilância constante e exploração comercial do espaço público
Os novos dispositivos instalados nas ruas não vão apenas informar a hora e a temperatura de quem passa pelas calçadas. Na verdade, cada um dos 70 relógios digitais funcionará como um ponto de vigilância permanente. Todos os equipamentos terão câmeras acopladas com tecnologia de ponta, incluindo alcance de 360 graus, zoom óptico capaz de aproximar imagens em até 32 vezes e recursos de infravermelho para visualização noturna.
Mobilidade sob controle e o avanço das concessões
O projeto, estruturado sob as diretrizes da Lei Municipal nº 14.409/2025, engloba ainda a implementação de 70 Painéis de Mensagens Variáveis (PMVs) para o direcionamento do trânsito local. Além disso, como forma de compensação institucional, a prefeitura terá direito a 140 espaços destinados a campanhas de utilidade pública. Contudo, dezenas de novas telas luminosas provocam poluição visual e dividem opiniões, embora a prefeitura prometa a reversão dos aparelhos ao patrimônio municipal ao término do contrato de 20 anos.
Nesse contexto, esta nova concessão consolida a tendência de privatização de serviços e bens públicos em Uberlândia. Vale lembrar que, recentemente, o município também repassou a gestão da iluminação pública para a concessionária Engie, além de ter comercializado terrenos públicos no Polo Tecnológico Sul.

