A subtenente Juliana, pioneira ao se identificar como a primeira mulher trans na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), concluiu oficialmente sua trajetória na corporação. A militar formalizou a entrega dos documentos de sua reserva remunerada em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, cidade onde prestou serviço ao longo de três décadas ininterruptas.
A carreira da policial começou no dia 1º de agosto de 1995. Inicialmente, ela foi aprovada no Curso de Formação de Sargentos Músicos (CFS Músico) e ingressou direto na banda militar da instituição. Contudo, essa especialidade não a afastou do trabalho de campo. Ao longo dos anos, Juliana participou de operações noturnas, patrulhamento de rua, contenção de rebeliões em presídios e segurança em grandes eventos.
Desafios na formação e atuação na saúde militar
A subtenente destacou que veio de uma família de baixa renda antes de vestir a farda militar. Por causa da origem humilde, ela enfrentou cobranças intensas e testes de resistência física severos durante a sua formação inicial. No entanto, ela manteve a persistência no treinamento para superar as dificuldades econômicas que vivenciava com a família.
Além do serviço operacional, Juliana desempenhou um papel social crucial dentro da corporação durante a pandemia de Covid-19. Nesse período, a instituição a convidou para coordenar um núcleo de apoio e acolhimento humanizado para militares doentes e suas famílias. Posteriormente, a policial permaneceu lotada no setor de saúde da PM até a data de sua aposentadoria.
Processo de transição e apoio da chefia
O processo de redesignação começou efetivamente em 2023, quando a policial iniciou o tratamento de reposição hormonal. Em seguida, ela realizou os procedimentos cirúrgicos na cidade de Blumenau, em Santa Catarina, onde colocou próteses de silicone e fez a feminização facial.
Antes de viajar para o procedimento, a militar comunicou a transição abertamente ao seu superior imediato. A chefia prestou apoio irrestrito à decisão. Desse modo, Juliana trabalhou os últimos 11 meses na ativa como mulher trans sem registrar episódios de preconceito ou retaliação interna no quartel.
Missão cumprida e representatividade
Após concluir todo o trâmite funcional em Uberlândia, a subtenente publicou um pronunciamento em vídeo para compartilhar o encerramento do ciclo. Na declaração, ela ofereceu o momento de vitória à sua mãe e a todas as mulheres trans. Além disso, a policial frisou a relevância de abrir espaços profissionais no serviço público.
Portanto, a veterana encerra as atividades na PMMG com o sentimento de dever cumprido e abre caminhos inéditos para a representatividade nas forças de segurança estaduais.

