Uma força-tarefa nacional combateu o trabalho análogo à escravidão em MG e retirou 208 trabalhadores de condições degradantes durante o mês de agosto. A Operação Resgate VI mobilizou auditores-fiscais do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Defensoria Pública da União e a Polícia Federal. Em todo o território nacional, as equipes fiscalizaram 231 estabelecimentos e libertaram 481 pessoas.
Minas Gerais liderou o número de resgates da Região Sudeste. A fiscalização concentrou grande parte das ações no interior do estado. Entre as regiões com maior número de libertações, os agentes retiraram 130 trabalhadores de condições degradantes em municípios do Alto Paranaíba, dez na Zona da Mata e dois no Noroeste mineiro.
Situação degradante em lavouras de Estrela do Sul
O caso mais estarrecedor ocorreu em uma fazenda de batata e café em [[Estrela do Sul|https://regionalzao.com.br/cidades/estrela-do-sul/]]. No local, as autoridades resgataram 44 trabalhadores sem registro em carteira e sob fraude de terceirização. O grupo incluía 23 imigrantes africanos, oriundos de países como Senegal e Burkina Faso, além de brasileiros migrantes de Alagoas, Bahia, Maranhão e Pernambuco.
As equipes constataram a ausência total de banheiros nas frentes de lavoura. Por essa razão, os trabalhadores precisavam utilizar as plantações para realizar as necessidades fisiológicas. O cenário atingia de forma ainda mais cruel as três mulheres da equipe. Sem qualquer privacidade, elas utilizavam grandes sacarias agrícolas vazias para cobrir o corpo durante as necessidades no cafezal.
Além disso, a fazenda não fornecia água potável, ferramentas de trabalho adequadas nem espaço para refeições. Dessa maneira, o grupo consumia as marmitas no chão da lavoura, exposto ao sol e sem qualquer proteção climática. A remuneração ocorria apenas por produção, sem o pagamento de direitos trabalhistas básicos como descanso semanal, férias ou 13º salário.
Indenizações superam R$ 800 mil e canais de denúncia
Diante das graves irregularidades, o empregador de Estrela do Sul assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os órgãos federais. O acordo estipulou o pagamento de mais de R$ 800 mil em reparações financeiras. O montante abrange R$ 470 mil em verbas rescisórias, R$ 320 mil em danos morais individuais e R$ 80 mil por danos morais coletivos.
Contudo, os números em âmbito estadual e nacional revelam que a exploração humana ainda atinge homens, mulheres e crianças em lavouras e centros urbanos. Por consequência, os órgãos de proteção reforçam que a denúncia anônima continua sendo a principal arma da sociedade contra essas violações.
Portanto, qualquer cidadão pode relatar casos suspeitos pelo Sistema Ipê da Secretaria de Inspeção do Trabalho ou diretamente nos canais de atendimento do Ministério Público do Trabalho. O sigilo da identidade do denunciante é assegurado integralmente por lei.

