A Justiça de Minas Gerais determinou, nesta quinta-feira (2), que dois homens acusados de matar e concretar o corpo de Clara Maria Venâncio Rodrigues, de 21 anos e natural de Uberlândia, sejam levados a júri popular.

A decisão foi tomada pela juíza sumariante do 1° Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, que reconheceu haver provas suficientes para o julgamento pelos crimes de feminicídio e delitos conexos.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou os réus pelo homicídio qualificado de Clara, ocorrido em 9 de março de 2025, no bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte. Segundo a acusação, a jovem foi imobilizada com o golpe “mata-leão” e sufocada com um pano, dificultando sua defesa.
Além do feminicídio, os acusados respondem por vilipêndio e ocultação de cadáver, tentativa de furto mediante fraude com o celular da vítima e abuso de animal doméstico. Ambos foram presos em flagrante em 12 de março. Segundo o MPMG, o crime configurou feminicídio motivado por ódio e menosprezo à condição de mulher.
O primeiro réu trabalhava no mesmo estabelecimento que Clara e teria tentado se envolver com ela sem sucesso, além de possuir uma dívida com a vítima. O segundo denunciado participou do crime após ser repreendido publicamente por Clara por fazer apologia ao nazismo em um bar.
As defesas pediram que o caso não fosse a julgamento, alegando ausência de motivação de gênero e solicitando a desclassificação do feminicídio para homicídio simples, além de questionar a validade das provas e alegar suposta inimputabilidade de um dos réus.
A juíza Ana Carolina Rauen rejeitou todas as teses da defesa, confirmando a legalidade das provas e da prisão preventiva. Segundo a magistrada, a entrada dos policiais foi legítima diante do flagrante, do forte odor cadavérico e de outros sinais evidentes do crime, dispensando mandado judicial.
Clara Maria Venâncio Rodrigues, natural de Uberlândia, desapareceu em 9 de março de 2025 e teve o corpo encontrado três dias depois, concretado e enterrado em uma casa no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, em Belo Horizonte, onde trabalhava na época do crime.

