A Justiça de Uberlândia aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais e tornou ré uma médica neurologista de 42 anos, apontada como mandante do assassinato de uma farmacêutica, ocorrido em 2020.
A decisão foi tomada pela 5ª Vara Criminal da comarca na quarta-feira (29). A acusada ficou conhecida nacionalmente após ser presa pelo sequestro de um bebê recém-nascido do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, em 2024.

Segundo as investigações, a farmacêutica foi morta a tiros na porta do local onde trabalhava, depois de receber uma falsa encomenda. O pacote foi usado para atrair a vítima até o local do crime. O Ministério Público denunciou a médica por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, pagamento e emboscada, além de crimes relacionados a fraude e adulteração de veículo.
Além da médica, um homem também virou réu no processo. De acordo com a acusação, ele teria sido o executor do crime. Os dois estão presos desde terça-feira (5) de novembro de 2025, quando a prisão temporária foi convertida em preventiva.
Na decisão, o juiz destacou que há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Segundo ele, trata-se de homicídio qualificado, considerado crime hediondo, o que justifica a manutenção da prisão preventiva diante do risco social.
Em dezembro do ano passado, a médica teve um pedido de habeas corpus negado. O desembargador responsável pelo caso afirmou que a prisão foi decretada com base em elementos concretos do processo e que não houve ilegalidade ou abuso de poder.
As apurações indicaram que, antes do crime, a médica manteve um relacionamento com o ex-marido da vítima. O casal tinha uma filha e, conforme a investigação, a acusada teria tentado retirar o poder familiar da farmacêutica para assumir a maternidade da criança. Ainda segundo a polícia, a vítima chegou a impedir que o pai tivesse contato com a filha enquanto ele estivesse com a médica.
De acordo com o inquérito, a acusada teria participado do planejamento e da execução do crime, em parceria com outros envolvidos. Dois homens apontados como executores foram presos no início de novembro, em Itumbiara, em Goiás.
Sequestro de recém-nascida
Em agosto de 2024, a médica foi indiciada por tráfico de pessoas e falsidade ideológica após o sequestro de uma recém-nascida na maternidade do Hospital das Clínicas de Uberlândia. O crime aconteceu na noite de segunda-feira (22), e a criança foi localizada poucas horas depois, em Itumbiara, com a suspeita.
Na ocasião, a mulher usou um crachá para entrar no hospital se passando por funcionária. Ela abordou um casal, disse ser pediatra, examinou a mãe e a bebê e, em seguida, afirmou que levaria a criança para amamentar. A recém-nascida foi colocada dentro de uma mochila e levada de carro para outra cidade.
Imagens de câmeras de segurança ajudaram na localização da suspeita. As investigações apontaram que o crime foi premeditado. Na casa da médica, os policiais encontraram um quarto preparado para receber a bebê, com enxoval, carrinho, fraldas e leite, além de um boneco semelhante a um recém-nascido em um berço.
Inicialmente, ela foi autuada por sequestro qualificado, mas, com o avanço das investigações, surgiram indícios de outros crimes. A médica segue presa preventivamente em um presídio em Goiás. A defesa afirma que ela faz tratamento psiquiátrico e que, no dia do sequestro, teria sofrido um surto por não ter tomado a medicação.
