A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta segunda-feira (2), a Operação Sangria, uma ação estratégica para desmantelar uma organização criminosa especializada no furto qualificado de combustíveis, crime popularmente conhecido como “vampirismo”. O grupo atuava diretamente na perfuração de dutos da Transpetro S/A, com forte ramificação logística no Triângulo Mineiro.
As investigações, conduzidas pela 1ª DIG/DEIC de Ribeirão Preto (Deinter 3), apontam que a quadrilha mantinha uma estrutura empresarial para subtrair, transportar e reinserir o produto ilícito no mercado formal. O prejuízo acumulado supera os R$ 5 milhões, valor que engloba o volume de combustível furtado, danos à infraestrutura, custos operacionais de reparo e riscos ambientais severos.
Embora o comando da operação tenha partido do interior paulista, o Triângulo Mineiro consolidou-se como peça-chave no tabuleiro do crime organizado. Pela posição geográfica estratégica e proximidade com grandes malhas rodoviárias e dutoviárias, a região servia como entreposto e rota de escoamento para os Estados de Minas Gerais e Goiás.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão e teve desdobramentos em cidades mineiras, evidenciando que o grupo utilizava a fronteira entre SP e MG para dificultar a fiscalização. Segundo a polícia, a “expertise” técnica do grupo permitia violações sofisticadas na rede da Transpetro, minimizando detecções imediatas pelos sistemas de monitoramento de pressão.
Ao todo, a Justiça expediu:
- 09 mandados de prisão temporária (07 cumpridos até o momento);
- 13 mandados de busca e apreensão domiciliar;
- Quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático.
As diligências ocorreram simultaneamente em Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira, Conchal, Ribeirão Preto e Jardinópolis, além de apoios operacionais em Minas Gerais e Tocantins.
Um dos pontos centrais da investigação é a conivência do setor privado. Um empresário do setor de distribuição foi preso em Campinas. De acordo com a Polícia Civil, duas distribuidoras são suspeitas de integrar a cadeia de escoamento, lavando o combustível furtado ao misturá-lo a cargas regulares para venda em postos de bandeira branca.
A Polícia Civil enfatiza que a prática do “vampirismo” vai além do dano financeiro. “A intervenção clandestina em dutos de alta pressão gera um risco iminente de explosões e vazamentos catastróficos para o solo e lençóis freáticos”, informou a corporação em nota.
Os equipamentos de informática e celulares apreendidos passarão por perícia. O objetivo agora é identificar os receptadores finais e outros possíveis núcleos da organização que operam no Triângulo Mineiro e no Centro-Oeste brasileiro.
