O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio do Ministério ou Público de São Paulo e de forças policiais dos dois estados, deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação “Todas por Uma”, que apura um esquema de fraude em licitação envolvendo o transporte escolar rural de Uberaba.

Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em empresas e residências de empresários e contadores suspeitos de integrar o grupo investigado. As ações ocorreram simultaneamente em Uberaba e nos municípios paulistas de Cravinhos, Araraquara, Vargem Grande Paulista, Cotia e Guarulhos.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens avaliados em R$ 12 milhões, incluindo veículos, imóveis e valores em contas bancárias. O bloqueio patrimonial tem o objetivo de evitar ocultação de bens e garantir, caso confirmadas as irregularidades, a devolução dos recursos públicos. O valor corresponde ao montante já repassado à empresa vencedora do pregão.
Segundo o MPMG, a investigação conduzida pela 15ª Promotoria de Justiça de Uberaba identificou indícios de que empresas coligadas de São Paulo teriam manipulado o caráter competitivo do pregão eletrônico realizado no fim de 2024. O objetivo seria simular concorrência e assumir o contrato do transporte escolar rural, que atende cerca de 1.500 alunos e tem custo mensal superior a R$ 1,5 milhão.
A operação contou com o apoio dos Gaecos de Minas Gerais e São Paulo, do Centro de Apoio das Promotorias de Defesa do Patrimônio Público (CAOPP) e das Polícias Militar, Civil e Penal de Minas Gerais, além da Polícia Civil de São Paulo. Aproximadamente 40 policiais e equipes do MP participaram diretamente da ação.
As apurações também tiveram suporte da Controladoria-Geral do Município de Uberaba, que forneceu documentos e dados técnicos essenciais para o andamento do caso. Até o momento, não há indícios de participação ilícita de servidores municipais.
Todo o material apreendido, como computadores, celulares e documentos, será analisado para aprofundar as investigações. Se as suspeitas forem confirmadas, os envolvidos podem responder por associação criminosa, falsidade ideológica e frustração do caráter competitivo de licitação.


