A Polícia Federal (PF) prendeu o pastor Marcio Poncio nesta quinta-feira (2) na cidade do Rio de Janeiro. A ação ocorreu durante a deflagração da quinta fase da Operação Unha e Carne. A investigação policial aponta que o religioso possui uma suposta ligação direta com a conhecida “Máfia do Cigarro”.
Além de Marcio Poncio, a Justiça Federal determinou novas ordens de prisão contra outros investigados do esquema. O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar também receberam mandados. Contudo, ambos já cumprem pena no sistema penitenciário do estado.
Detalhes da prisão na Barra da Tijuca
Os agentes federais prenderam o pastor em um flat de luxo localizado na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Marcio Poncio ganhou fama nacional nas redes sociais como o “patriarca da família Poncio”. Ele lidera a Igreja da Nuvem e é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, ex-membro do grupo musical UM44K.

No meio empresarial, o religioso construiu uma trajetória consolidada no setor do tabaco. Devido a essa atuação comercial, ele acabou recebendo o apelido público de “pastor do cigarro”. A polícia agora busca mapear a origem e o destino dos recursos financeiros movimentados por suas empresas.
O esquema da Máfia do Cigarro
De acordo com a Polícia Federal, esta fase da operação busca aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro. O bicheiro Adilsinho lidera a nova cúpula do jogo do bicho e comanda o lucrativo monopólio ilegal de cigarros na região metropolitana. Além disso, a PF apura a ramificação do grupo criminoso dentro dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
Por isso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos envolvidos em até R$ 22 milhões. A suspeita é de que pelo menos 20 políticos do estado recebiam uma mesada de Adilsinho. Os policiais prenderam o bicheiro em fevereiro de 2026, na cidade litorânea de Cabo Frio, após um detalhado monitoramento feito por drones.
Histórico da Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne iniciou seus trabalhos em dezembro de 2025 para investigar o vazamento de segredos de ações contra facções criminosas. Ao longo das etapas, a PF realizou prisões de grande repercussão política e judicial.
Na primeira etapa, os agentes prenderam o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Logo em seguida, na segunda fase, a PF prendeu o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto por suposta facilitação de vazamentos. Em março de 2026, os agentes prenderam Bacellar novamente em sua residência em Teresópolis. Por fim, a quarta fase da operação prendeu o deputado estadual Thiago Rangel, investigado por fraudes em compras na Secretaria de Educação.
A PF segue coletando depoimentos e analisando os materiais apreendidos para desmantelar por completo toda a rede de lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro.

