Uma funcionária de uma loja de conveniência do Posto Triângulo acionou a Polícia Militar na noite de sábado (22) após ser perturbada por um cliente que, segundo ela, apresentava sinais evidentes de embriaguez. O caso foi registrado em Uberlândia.

A trabalhadora relatou que realizava a manutenção interna do estabelecimento quando o homem entrou, retirou uma cadeira de cima de uma mesa e foi avisado de que o local estava temporariamente fechado. Ainda assim, ele disse que ficaria ali, afirmando ser o vereador Edinho do Combate ao Câncer e que, por ser “fiscal do povo”, tinha o direito de permanecer e “fiscalizar” o estabelecimento. Em seguida, entrou em uma área restrita aos funcionários e fez fotos, mesmo após ser advertido.
Segundo o boletim de ocorrência, os militares tentaram conversar com o vereador para ouvir sua versão, mas ele apresentava desorientação, olhos vermelhos, hálito etílico e dificuldade para se equilibrar. Ele se recusou a sair da loja, não quis se identificar e passou a xingar os policiais com palavras de baixo calão.
Diante da recusa e da postura agressiva, foi dada voz de prisão. O vereador resistiu de forma passiva, obrigando os militares a usar técnicas de contenção e algemação. Dentro da viatura, continuou se debatendo, sendo alertado sobre o risco de se machucar e de danificar o compartimento.
Edinho foi levado para atendimento na unidade de saúde do bairro Tibery. No local, ele novamente se recusou a se identificar, afirmando que forneceria seus dados apenas ao médico. Após o atendimento, foi possível confirmar oficialmente sua identidade e cargo público, sendo asseguradas todas as prerrogativas garantidas por lei.
Durante o deslocamento, o vereador pediu que fosse lavrado apenas um Termo Circunstanciado de Ocorrência, alegando estar nervoso e dizendo ser “uma figura pública”, solicitação que não foi atendida. Em outro momento, afirmou que um policial teria furtado seu celular e a chave do carro, o que foi esclarecido: seus pertences estavam sob guarda da equipe, conforme procedimento padrão. Todos os itens foram entregues na delegacia.
Após ser liberado pela equipe médica, Edinho do Combate ao Câncer foi conduzido à Delegacia de Plantão. O veículo dele, devidamente licenciado, permaneceu estacionado no local, já que ele não indicou ninguém para retirá-lo. A OAB foi comunicada, e um representante acompanhou o caso na delegacia.
Posicionamento do vereador Edinho do Combate ao Câncer
“O que aconteceu foi um abuso de autoridade. Eu estava defendendo uma pessoa da minha comunidade que foi maltratada dentro da loja. Em nenhum momento me identifiquei como vereador, isso está no boletim. Tentaram criar um fato para me prejudicar, inclusive falando em embriaguez, o que é mentira. Existem interesses por trás disso, porque sou uma pessoa pública e sempre combati excessos da polícia e da Justiça. Mas estou tranquilo, de cabeça erguida, e vou continuar fazendo meu trabalho.”


