A Polícia Civil de Goiás deflagrou uma operação na última semana em Aparecida de Goiânia. A ação resultou na apreensão de 4.500 kg de palha de café, material que seria usado para adulterar produtos de marcas famosas como Cristal Du Puro e Café Granado. O flagrante aconteceu em um depósito clandestino no Jardim Veneza, onde a polícia encontrou 400 sacos de adubo orgânico, que, na verdade, eram palhas prontas para mistura ilegal. O delegado Humberto Teófilo aponta o caso como a “maior adulteração de café já registrada em Goiás”.
No momento da abordagem, os agentes encontraram o filho do proprietário da indústria descarregando a carga, que, conforme apurado, veio de Araguari. O responsável tentou fugir, mas foi detido. O delegado Teófilo mostrou a estrutura improvisada, uma residência usada como esconderijo para o material: “Isso aqui é uma residência, tá? Olha só onde eles estavam guardando esse adubo orgânico usado para enganar o consumidor”.
Café adulterado abasteceria escolas e órgãos públicos
A gravidade do caso aumenta com a descoberta de que a indústria investigada venceu licitações. Em consequência, o café adulterado era fornecido para diversos municípios goianos, incluindo escolas, órgãos públicos e famílias carentes.
Entre as cidades citadas em documentos apreendidos estão: Minaçu, Carmo do Rio Verde, Vila Boa, Santa Fé de Goiás, Guapó, Abadia de Goiás, Anicuns, Goianira, Senador Canedo, Paraúna, Joviânia, Santa Helena de Goiás, Leopoldo de Bulhões, Silvânia e Piracanjuba.
“A galera está tomando café adulterado. É inadmissível que a população esteja consumindo isso. E mais grave ainda: produtos fornecidos por licitação para cidades inteiras“, criticou o delegado Humberto Teófilo.
Uso de selo de pureza ABIC falsificado
Durante a inspeção, as equipes também flagraram o uso de selos de pureza da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) falsificados nas embalagens. “Esse selo que vocês estão vendo aqui é adulterado. Você clica nesse selo e não tem autorização nenhuma para usar. Isso aqui é grave“, alertou Teófilo.
A indústria, localizada a apenas 300 metros do depósito, tinha café torrado pronto para distribuição. No entanto, ela foi interditada pela Vigilância Sanitária, assim como o depósito. As investigações continuam. “Não vou permitir que adulterem café e coloquem a saúde da população em risco. A operação continua e novas diligências serão feitas“, declarou o delegado, enfatizando o compromisso da Polícia Civil em proteger a população.


