7 meses após primeira morte por metanol, Câmara de Uberlândia instala CPI

Comissão vai investigar bebidas adulteradas e riscos à saúde após casos que acenderam alerta no país

Adelino Júnior
Camara Municipal de Uberlândia
Camara Municipal de Uberlândia. Foto: Divulgação/Regionalzão

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A Câmara Municipal de Uberlândia deu início a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no município. A medida surge cerca de sete meses após o registro da primeira morte confirmada no Brasil por intoxicação com a substância.

O caso que acendeu o alerta nacional ocorreu em setembro do ano passado, quando o empresário Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, morreu após consumir bebida contaminada. Ele passou mal no dia 12 e faleceu quatro dias depois, em São Paulo.

Agora, o tema chega oficialmente ao Legislativo de Uberlândia, que pretende apurar possíveis irregularidades na cadeia de produção e distribuição dessas bebidas na cidade.

Investigação e composição da CPI

A comissão foi criada a partir de requerimento do vereador Nei Borges e contará com a participação dos vereadores Antônio Augusto “Queijinho”, Jair Ferraz, Angela do Postinho e o professor Conrado Augusto.

A primeira reunião está marcada para o dia 4 de maio, às 11h, logo após a sessão ordinária, na sala de reuniões João Pedro Gustin, na sede da Câmara.

A expectativa é que, já no encontro inicial, sejam definidos o presidente e o relator da CPI, além do cronograma de trabalho e das primeiras diligências.

O foco principal será identificar possíveis pontos de falha na fiscalização, rastrear a origem das bebidas adulteradas e responsabilizar envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades.

Risco à saúde e impacto local

O metanol é uma substância altamente tóxica e pode causar cegueira e morte quando ingerido. Casos recentes em diferentes regiões do país têm levantado preocupação sobre a segurança na cadeia de bebidas alcoólicas, especialmente em produtos clandestinos.

No contexto local, a CPI também deve avaliar possíveis impactos no comércio e discutir medidas preventivas para evitar novos casos.

“O objetivo é garantir a segurança da população e evitar que situações como essa avancem no município”, aponta a justificativa do pedido que deu origem à comissão.

Bastidores e timing político

A instalação da CPI também movimenta os bastidores da Câmara. Em um momento de aumento no número de pedidos de investigação no Legislativo, o tema da saúde pública ganha força e pode influenciar a pauta política nos próximos meses.

Além disso, a proximidade com o calendário eleitoral tende a dar visibilidade às ações de fiscalização, o que aumenta a pressão por resultados concretos.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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