A entrevista concedida pela deputada federal Ana Paula Leão (PP) ao programa Política Cruzada revelou mais do que um rompimento definitivo com o prefeito Paulo Sérgio (PP). O conteúdo das declarações mostra que a família Leão já parece olhar para a sucessão municipal de 2028, mesmo tendo a eleição de 2026 pela frente.
Embora Ana Paula ainda tenha pela frente uma campanha pela reeleição à Câmara dos Deputados, o discurso adotado teve características muito mais próximas de uma pré-candidatura à Prefeitura do que de uma campanha parlamentar.
As críticas concentraram-se na administração municipal, principalmente na saúde, na condução política do governo e no cumprimento de promessas. São temas que normalmente aparecem no discurso de quem pretende disputar o Executivo.
Nos bastidores, essa percepção já existe há algum tempo. A avaliação é de que o grupo trabalha com duas possibilidades para 2028: uma candidatura da própria Ana Paula Leão ou o retorno do ex-prefeito Odelmo Leão à disputa.
O nome ainda é secundário. O principal movimento é político.
O rompimento antecipou a sucessão
Paulo Sérgio foi eleito justamente por representar a continuidade da gestão de Odelmo Leão.
Agora, o cenário mudou completamente.
O antigo sucessor passa a ser tratado como adversário político, enquanto seus padrinhos começam a construir um discurso de oposição.
O fato mais relevante da entrevista talvez nem sejam as críticas ao prefeito.
O principal aspecto é o momento em que elas acontecem.
A eleição estadual e federal de 2026 sequer ocorreu, mas o posicionamento político já parece mirar a sucessão municipal.
É como se o grupo tivesse iniciado, de forma antecipada, a disputa por 2028.
A narrativa de que Paulo Sérgio virou “petista”
Um dos principais argumentos utilizados por Ana Paula foi tentar associar Paulo Sérgio ao Partido dos Trabalhadores.
A estratégia possui lógica política.
Uberlândia tem um eleitorado majoritariamente de centro-direita e conservador. Vincular o prefeito ao PT significa tentar afastá-lo justamente da base que ajudou a elegê-lo.
Entretanto, essa narrativa também possui um limite.
Caso o PT lance candidatura própria à Prefeitura em 2028 — cenário considerado natural dentro da política local — ficará muito mais difícil sustentar que Paulo Sérgio representa o partido.
Nesse momento, haverá um candidato oficialmente petista disputando a eleição.
Até lá, porém, existe um objetivo claro: impedir que Paulo Sérgio mantenha intacta sua relação com esse eleitorado conservador.
Paulo Sérgio aposta em outro caminho
Enquanto a oposição tenta vinculá-lo à esquerda, Paulo Sérgio parece seguir uma estratégia diferente.
Desde o início do mandato, o prefeito procura construir a imagem de um gestor que conversa com todos os campos políticos.
A lógica é simples.
Uberlândia precisa receber recursos do Governo Federal, do Governo de Minas, de deputados estaduais e federais, independentemente da filiação partidária.
Essa postura explica a presença do prefeito em agendas ao lado de políticos de diferentes perfis ideológicos.
Ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de articulação institucional, essa estratégia também abre espaço para críticas como as feitas por Ana Paula.
Zé Vitor entra nessa equação
É justamente nesse contexto que ganha importância a aproximação entre Paulo Sérgio e o deputado federal Zé Vitor (PL), presidente do Partido Liberal em Minas.
O movimento produz dois efeitos políticos.
O primeiro é diminuir a força da narrativa de que o prefeito estaria alinhado ao PT.
A presença frequente ao lado de um dos principais nomes da direita mineira dificulta esse enquadramento.
O segundo efeito talvez seja ainda mais importante.
Zé Vitor dialoga diretamente com o mesmo eleitorado conservador que, durante anos, foi liderado por Odelmo e Ana Paula Leão.
- Entenda nessa analise: Zé Vitor se aproxima de Paulo Sérgio e mexe no xadrez de Uberlândia
Na prática, Paulo Sérgio passa a disputar justamente a base política que antes pertencia ao grupo que o ajudou a chegar à Prefeitura.
São dois objetivos alcançados com o mesmo movimento político.
A verdadeira eleição começa em 2026
Antes de pensar em 2028, existe uma eleição decisiva.
Ana Paula tentará permanecer na Câmara dos Deputados.
Odelmo deverá disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
O resultado dessa eleição poderá definir o tamanho político da família Leão na sucessão municipal.
Caso Ana Paula mantenha o mandato federal e Odelmo conquiste uma vaga na Assembleia, o grupo chegará fortalecido.
Mas existe outro cenário.
Se Ana Paula não conseguir a reeleição, mesmo uma vitória de Odelmo para deputado estadual mudará significativamente o peso institucional da família.
Além da perda de representação em Brasília, o Progressistas poderá reavaliar sua estratégia para 2028.
Partidos costumam priorizar lideranças que possuem mandato e capacidade de ampliar sua representação política.
Por isso, a eleição de 2026 funcionará como a primeira etapa da sucessão municipal.
Como pode ser o tabuleiro de 2028
Mantidas as condições atuais, Uberlândia poderá caminhar para uma disputa com três forças.
De um lado, um candidato do PT.
De outro, Paulo Sérgio buscando a reeleição.
E, em uma terceira frente, Odelmo ou Ana Paula Leão tentando recuperar o comando da Prefeitura.
Naturalmente, esse cenário pode mudar completamente.
Outras lideranças podem surgir.
Leonídio Bouças, por exemplo, já demonstrou competitividade eleitoral e poderá voltar ao debate.
Novas alianças também poderão alterar completamente o desenho da disputa.
Ainda assim, os movimentos atuais mostram que os principais grupos políticos já começaram a ocupar espaço nesse tabuleiro.
O exemplo que vem de Uberaba
A cidade vizinha oferece uma lição importante.
Após governar Uberaba por dois mandatos, Paulo Piau passou o bastão para Elisa Araújo.
Quatro anos depois, tentou voltar ao comando da Prefeitura.
O resultado surpreendeu.
Mesmo sendo um ex-prefeito conhecido, terminou o primeiro turno com apenas 3,22% dos votos válidos, enquanto Elisa liderou a disputa e acabou reeleita no segundo turno.
Obviamente, existem diferenças importantes entre os dois casos.
O capital político de Odelmo Leão em Uberlândia é muito superior ao que Paulo Piau possuía em Uberaba quando tentou retornar.
O ex-prefeito uberlandense deixou o cargo com elevados índices de aprovação e continua sendo uma das maiores lideranças políticas da região.
Ainda assim, o caso de Uberaba mostra uma lógica recorrente na política.
Quando um sucessor consegue consolidar a administração, ocupar o protagonismo e manter boa parte da base eleitoral, torna-se muito difícil para o antigo líder recuperar esse espaço.
Esse poderá ser justamente o desafio da família Leão.
Caso Paulo Sérgio consiga preservar o eleitorado de centro-direita que o elegeu, a disputa deixará de ser entre governo e oposição.
Será uma disputa pela liderança de um mesmo campo político.
Mais do que uma entrevista
A principal conclusão da entrevista de Ana Paula Leão não está nas críticas feitas ao prefeito.
Ela está no momento em que essas críticas aparecem.
Os principais grupos políticos de Uberlândia já começaram a se posicionar para uma eleição que acontecerá apenas em 2028.
Até lá, haverá uma eleição estadual e federal, mudanças partidárias, novas alianças e, certamente, outros candidatos.
Mas uma coisa parece clara.
O rompimento entre Paulo Sérgio e a família Leão encerrou um ciclo político.
A partir de agora, ambos disputarão não apenas a Prefeitura, mas também o direito de representar o mesmo eleitorado que esteve unido na eleição de 2024.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.


O FALIDÃO e a MOCRÉIA querem voltar a governar,mas o POVO vai dar uma SURRA nesses CALOTEIROS… XUPAAAAA