Por que a Câmara de Uberlândia decidiu escolher seu novo presidente antes das eleições

Mudança no Regimento levou eleição da Mesa para outubro e fará vereadores definirem comando de 2027/2028 antes do resultado das urnas

Adelino Júnior
Camara de Uberlândia
Foto: Câmara Municipal de Uberlândia/Divulgação

A Câmara Municipal de Uberlândia escolhe nesta sexta-feira (2) quem comandará o Legislativo no biênio 2027/2028. Mas a votação ocorre em uma circunstância diferente: pela primeira vez sob a nova regra, a definição acontece antes das eleições gerais.

Não foi esse, oficialmente, o motivo apresentado para a mudança. A justificativa da Mesa Diretora foi administrativa, mas a alteração do calendário produz um efeito político concreto: a próxima direção da Câmara será conhecida antes que o resultado das urnas possa modificar o peso político dos próprios vereadores.

O que a Câmara mudou

Em 10 de setembro, a Câmara aprovou o Projeto de Resolução nº 06/2026, de autoria da Mesa Diretora, que alterou o Regimento Interno.

Pela nova redação do artigo 9º, a eleição das Mesas Diretoras para os períodos subsequentes passou a ser realizada na segunda reunião ordinária de outubro. A posse ocorre na última reunião ordinária de dezembro, e os eleitos ocupam os cargos a partir de janeiro.

A alteração foi aprovada em discussão única, por votação simbólica e maioria simples.

Com isso, a Câmara antecipou uma das principais decisões políticas internas do Legislativo.

A justificativa oficial

Quando a mudança foi aprovada, a Mesa Diretora apresentou razões administrativas para a alteração.

Conforme mostrou a Coluna do Adelino em setembro, a justificativa do projeto apontava que novembro concentra discussões importantes, entre elas a análise do orçamento anual, o encerramento do exercício financeiro e atos relacionados à prestação de contas.

O argumento era de que separar esse período da eleição interna permitiria maior atenção tanto às matérias orçamentárias quanto ao processo de escolha da Mesa.

Outro ponto apresentado foi a transição.

Mesmo com a eleição realizada em outubro, a atual Mesa continua no comando até o fim do ano. Os sucessores terão, portanto, um intervalo entre a escolha e o início do mandato.

O efeito político de votar antes das eleições

Existe, porém, uma consequência que vai além da organização administrativa.

A eleição geral ocorre depois da definição da Mesa. Assim, quando os vereadores votarem nesta sexta-feira, ainda não saberão qual será o resultado eleitoral dos integrantes da própria Câmara que participam da disputa eleitoral.

Esse calendário importa porque uma eleição estadual ou federal pode modificar o cenário político dentro de um Legislativo municipal.

Um vereador que saia das urnas com votação expressiva pode retornar politicamente fortalecido, mesmo sem conquistar uma cadeira.

Da mesma forma, parlamentares que disputem outros cargos e não sejam eleitos podem retornar integralmente às articulações municipais.

São situações capazes de produzir novas conversas e composições políticas.

Não há elemento que permita afirmar que evitar essas movimentações tenha sido a intenção da mudança regimental. O que se pode afirmar é que a antecipação reduz o período disponível para eventuais rearranjos provocados pelo resultado eleitoral.

A fotografia será tirada antes das urnas

Foi justamente esse ponto que a Coluna do Adelino destacou em 11 de setembro, um dia depois da aprovação da mudança.

Na prática, a Mesa para 2027/2028 será escolhida considerando a atual correlação de forças da Câmara.

Se a eleição interna permanecesse para depois das eleições gerais, os vereadores chegariam à escolha do próximo presidente já conhecendo o desempenho eleitoral dos colegas candidatos e as consequências políticas daquele resultado.

Com a nova regra, a ordem foi invertida.

Primeiro, os vereadores definem quem comandará a Câmara. Depois, vêm as urnas das eleições gerais.

Ednaldo já aparecia nos bastidores

Outro elemento daquela análise volta ao centro das atenções nesta sexta-feira.

Quando a mudança foi aprovada, a Coluna do Adelino apurou que Sargento Ednaldo (PP) aparecia nos bastidores da sucessão do atual presidente, Zezinho Mendonça (PP).

Passadas três semanas, o nome de Ednaldo continua presente nas articulações para assumir a Presidência no biênio 2027/2028.

A indicação, entretanto, permanece como movimentação de bastidor. O próximo presidente será definido formalmente pelos vereadores na eleição da Mesa.

Caso Ednaldo seja escolhido, o PP permanecerá no comando da Câmara, hoje exercido por Zezinho Mendonça.

Decisão será tomada nesta sexta

A votação desta sexta-feira encerra um processo que ganhou uma nova dinâmica com a alteração do Regimento Interno.

Além do presidente, serão escolhidos primeiro, segundo e terceiro vice-presidentes, primeiro secretário e segundo secretário.

O resultado permitirá também observar, depois das eleições gerais, uma situação inédita sob a nova regra: a composição política da Câmara poderá sofrer os efeitos das urnas, mas sua Mesa Diretora para os dois anos seguintes já estará escolhida.

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