Cleitinho Azevedo lidera com folga a disputa pelo governo de Minas Gerais, mas parece ainda não ter assumido completamente o controle da própria campanha. A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (27) mostra o senador com 33% das intenções de voto. Patrus Ananias aparece com 15%, Alexandre Kalil tem 13% e Mateus Simões, 11%.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 22 e 26 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-07972/2026.
Nos cenários de segundo turno, Cleitinho também vence os principais adversários. Contra Kalil, marca 46% a 35%. Diante de Mateus Simões, a vantagem é de 46% a 31%. Na disputa com Patrus, o placar fica mais apertado: 45% a 40%.
Ou seja: voto Cleitinho tem. O que ainda falta saber é se também terá partido, palanque e equipe caminhando na mesma direção.
A candidatura foi confirmada, mas a desconfiança permaneceu
A candidatura de Cleitinho somente foi confirmada pelo Republicanos depois de uma novela marcada por desistências, recuos, cobranças públicas e puxões de orelha. O presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira, acabou autorizando o lançamento do senador ao governo de Minas.
A decisão, entretanto, não eliminou o ambiente de desconfiança. A tensão apenas saiu das reuniões partidárias e entrou na rotina da campanha.
O episódio mais recente envolve o candidato a vice-governador Luís Eduardo Falcão, também filiado ao Republicanos e coordenador político da chapa. Segundo informações publicadas pela Rede 98, Falcão trabalha nos bastidores para construir uma dobradinha eleitoral com Marcelo Aro, candidato ao Senado pelo PP.
Até aí, nada demais, não fosse um pequeno detalhe, Cleitinho decidiu afastar sua campanha da candidatura de Aro depois de demonstrar desconfiança em relação às articulações do antigo aliado.
Enquanto o candidato a governador fecha uma porta, o próprio vice parece procurar uma janela.
Movimento de Falcão pode preservar pontes políticas
Não é possível afirmar que Falcão esteja traindo Cleitinho ou contrariando uma decisão formal da campanha. A movimentação pode ter outro objetivo que é preservar pontes com o grupo de Marcelo Aro e evitar que o afastamento prejudique candidatos a deputado ou lideranças municipais ligadas aos dois lados.
A cena política, no entanto, é no mínimo curiosa. O cabeça da chapa segue uma espécie de carreira solo, enquanto o candidato a vice conversa com quem ficou fora da fotografia principal.
Também é necessário fazer uma distinção. O Republicanos e a Federação União Progressista, à qual pertence Marcelo Aro, não chegaram a formalizar uma coligação. Portanto, o que houve foi um afastamento político, não o rompimento oficial de uma aliança partidária.
Na prática, porém, a separação expôs uma disputa por espaço, influência e controle da campanha.
Republicanos e Cleitinho dependem um do outro
O Republicanos precisa de Cleitinho. Líder nas pesquisas, ele pode fortalecer as chapas de candidatos a deputado estadual e federal, ampliar a presença do partido em Minas Gerais e garantir à legenda protagonismo no segundo maior colégio eleitoral do país.
Cleitinho também precisa do Republicanos. Uma eleição estadual não é vencida apenas com vídeos nas redes sociais, linguagem popular e boa posição nas pesquisas. É preciso financiamento, propaganda eleitoral, estrutura jurídica, coordenação regional, prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e equipes atuando nos 853 municípios mineiros.
Essa dependência recíproca ajuda a explicar por que o partido confirmou a candidatura mesmo depois dos atritos. Cleitinho é eleitoralmente forte demais para ser deixado de lado, mas independente demais para ser controlado com facilidade.
Rejeição elevada acende sinal de alerta
A mesma pesquisa que coloca Cleitinho na liderança mostra outro dado relevante: sua rejeição chega a 43%. Patrus Ananias tem 42% e Alexandre Kalil, 40%.
O senador possui um eleitorado fiel e consolidado, mas também enfrenta forte resistência. Essa rejeição pode não impedir sua passagem ao segundo turno, porém amplia a necessidade de estabelecer alianças e conquistar votos fora da base que já o acompanha.
A contradição está posta: Cleitinho lidera a disputa e interessa eleitoralmente ao Republicanos, mas sua campanha ainda apresenta mais de um centro de gravidade. A legenda foi entregue, mas a unidade política não veio junto.
Por enquanto, Cleitinho domina as pesquisas. Nos bastidores, contudo, resta saber quem realmente dirige a campanha, quem escolhe o caminho e quem está apenas no banco do passageiro. Tomara que, pelo menos, com ar-condicionado.
Fonte: Pesquisa Real Time Big Data, registrada no TSE sob o número MG-07972/2026; Republicanos; Rede 98; Itatiaia.

