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Análise

Minas em movimento: as peças que ainda definem o tabuleiro de 2026

Análise do cenário eleitoral de Minas para 2026, com Zema, Pacheco, Cleitinho e os movimentos que podem redefinir a disputa pelo governo.

Adelino Júnior
Por
Adelino Júnior
Publicado 18 de fevereiro de 2026, 9:52
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O cenário eleitoral para o Governo de Minas em 2026 caminha para uma fase decisiva. Após meses de especulações, articulações silenciosas e reposicionamentos estratégicos, o jogo começa a ganhar contornos mais nítidos. Ainda assim, duas variáveis centrais permanecem em aberto e devem determinar a configuração final da disputa.

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As duas incógnitas centrais

A primeira envolve o governador Romeu Zema (Novo): seguirá isolado em um projeto próprio ou buscará alinhamento com o campo político representado por Flávio Bolsonaro (PL)?

A segunda gravita em torno de Rodrigo Pacheco (PSD): definirá novo partido e assumirá, de fato, uma candidatura ao Governo de Minas ou atuará apenas como peça de articulação nacional?

Enquanto essas definições não se consolidam, outras dúvidas relevantes já foram dissipadas.

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Tadeuzinho fora do jogo

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeuzinho Leite (MDB), ao confirmar sua candidatura ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), afastou-se definitivamente do páreo eleitoral para o Executivo estadual. A movimentação retirou um nome competitivo do centro político mineiro.

O projeto Mateus Simões

No campo governista, Mateus Simões (PSD) emerge como o candidato natural do grupo liderado por Zema. A prevista renúncia do governador, programada para 22 de março — seja para disputar a Presidência da República ou compor alianças nacionais — abre espaço para que Simões assuma protagonismo administrativo e eleitoral.

A lógica não é inédita na política mineira. Em 2010, Antônio Anastasia assumiu o governo em março com cerca de 4% das intenções de voto. Ao longo da gestão, cresceu, consolidou-se e venceu as eleições.

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É esse o espelho estratégico que ronda o projeto de Simões: ocupar o cargo, imprimir identidade própria e demonstrar capacidade de liderança, articulação e resposta, especialmente em áreas sensíveis como segurança pública.

Cleitinho: risco mínimo, capital máximo

Do outro lado do espectro político, Cleitinho (Republicanos) desponta como um dos nomes mais fortes da disputa. Liderando levantamentos recentes, apresenta uma posição singular: candidato com baixo risco pessoal.

Caso dispute e não vença, permanece no Senado. Caso triunfe, assume o Palácio Tiradentes.

Ainda assim, persistem questionamentos sobre sua capacidade de gestão e articulação política — dúvidas que acompanham sua trajetória e que o próprio senador não costuma refutar. O paradoxo é evidente: críticas institucionais convivem com índices robustos de confiança popular.

MDB e o fator Gabriel Azevedo

No MDB, Gabriel Azevedo mantém-se como nome viável. Com partido estruturado e disposição declarada, deverá transformar a campanha em uma oportunidade de expansão estadual de ideias e consolidação de imagem.

O desafio é claro: romper a percepção de desagregação política e demonstrar capacidade de convivência em projetos coletivos.

O movimento do PL

O Partido Liberal (PL) movimenta peças de peso. Nikolas Ferreira surge como figura central no debate eleitoral, enquanto o nome de Flávio Roscoe, atual presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), ganha força nos bastidores.

Não são meras alternativas — são ativos políticos com potencial real de influência na disputa.

Centro e centro-esquerda

No campo do centro e da centro-esquerda, Alexandre Kalil (PDT) mantém-se estrategicamente visível. Mesmo com aparições públicas mais pontuais, preserva competitividade.

Em um cenário fragmentado, Kalil pode emergir como nome de convergência desse bloco e se posicionar de maneira relevante rumo a um eventual segundo turno.

Além desses, dois nomes ainda são observados como possíveis ingressantes na corrida: Alexandre Silveira e Márcio Lacerda. Ambos devem definir posicionamentos partidários nas próximas semanas e permanecem como alternativas potenciais de uma candidatura alinhada ao presidente Lula (PT).

Fora desse núcleo, eventuais candidaturas tendem a assumir papel secundário no processo eleitoral.

Os cenários possíveis

Caso Romeu Zema confirme uma candidatura presidencial alinhada a Flávio Bolsonaro, o cenário aponta para um rearranjo significativo. Cleitinho pode assumir a cabeça de chapa com apoio do PL, partido que dificilmente abrirá mão da indicação do vice-governador — movimento estratégico para assegurar identidade partidária na majoritária.

Nesse contexto, Mateus Simões seguiria por trilha distinta, possivelmente compondo com um vice do próprio Novo.

Por outro lado, se houver alinhamento entre Zema e o PL já no primeiro turno em Minas, forças políticas de maior amplitude podem atuar em busca de uma candidatura unificada. Uma composição envolvendo Mateus Simões, Cleitinho e o PL não seria improvável — trata-se de uma dinâmica recorrente na política nacional.

Minas já assistiu a esse tipo de reconfiguração. Em 2018, Rodrigo Pacheco retirou sua candidatura ao governo após convenções realizadas, em um movimento ditado por ajustes estratégicos de última hora.

O papel de Rodrigo Pacheco

Quanto a Rodrigo Pacheco, o cenário ainda é de cautela. Nos bastidores, cresce a avaliação de que sua atuação deverá concentrar-se na articulação política e na construção de uma frente de apoio à reeleição do presidente Lula.

A definição sobre eventual candidatura própria tende a ocorrer apenas em momento mais adiante.

Até lá, o tabuleiro mineiro permanece em movimento.


As peças estão postas.
Os alinhamentos em curso.
E o jogo, definitivamente, começou.

Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.

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