Durante a cúpula do G7 na França, um áudio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vazou nos canais oficiais de transmissão.
De acordo com informações do portal Estadão, o petista afirmou que nunca se considerou um esquerdista.
A conversa informal ocorreu com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.
O presidente declarou que o mundo não é de esquerda, mas sim do “caminho do meio”, definindo-se como um líder sindical de herança social-democrata.
No bastidor partidário, a grande dúvida é se o episódio foi um vazamento acidental ou um movimento estratégico intencional.
A Coluna Poder avalia que a fala busca desarmar o discurso de radicalismo ideológico que a oposição costuma explorar no Brasil.
Repercussão calculada nos espectros de esquerda e centro
Para a militância de esquerda tradicional, o impacto prático dessa declaração do presidente é nulo.
A justificativa está no pragmatismo das urnas, uma vez que o polo oposto é liderado por Bolsonaro.
Já no Centrão, a sinalização do petista em direção ao chamado caminho do meio pode render dividendos importantes.
Essa fatia de centro, que decide as eleições majoritárias no país, tende a ver o gesto moderado com simpatia.
Críticos de centro afirmam que o pragmatismo econômico demonstrado por Luiz Inácio Lula da Silva em seus primeiros mandatos valida a sua tese de moderação.
O cenário na direita e na extrema-direita
Entre os eleitores da direita tradicional, a gravação informal não altera o posicionamento consolidado do antipetismo.
A ampla maioria deste segmento permanece antipetista, independentemente das declarações de moderação ideológica do presidente.
O maior desafio de narrativa recai sobre os grupos de extrema-direita com o enfraquecimento do discurso polarizado.
Esse grupo costuma classificar como esquerdista qualquer ator político fora de seu próprio espectro de atuação.
Essa dinâmica de rotulação perde força quando o próprio líder da esquerda rejeita a nomenclatura histórica.
A plasticidade das narrativas e o camaleão político
Seja o vazamento intencional ou acidental, o fato evidencia a maior virtude de sobrevivência de Luiz Inácio Lula da Silva.
O mandatário possui uma capacidade singular de alterar narrativas com extrema fluidez conforme a conveniência do palco eleitoral.
Lula transita sem atritos entre o sindicalista barbudão e combativo dos anos 80 e o estadista pragmático de terno internacional.
Esta elasticidade retórica neutraliza ataques e expande as fronteiras eleitorais do petista ao longo de décadas nas urnas.


Esse aí mente de acordo com a sua conveniência.
Mente tanto que não consegue fazer outra coisa.