Ao deixar a Prefeitura de Patos de Minas para entrar no jogo estadual, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) ganhou projeção em Minas — mas também passou a enfrentar o momento mais delicado de sua trajetória política.
Vice-governador, senador, suplente, coordenador de campanha ou deputado federal. O ex-prefeito de Patos de Minas talvez viva hoje o ponto mais decisivo de sua construção política.
Ao optar por deixar a prefeitura diante da possibilidade de uma composição majoritária em Minas Gerais, Falcão entrou definitivamente no radar estadual. Mas a política mineira raramente premia ansiedade. E quase nunca preserva espaços que ainda dependem de grandes articulações nacionais.
Nos bastidores, a avaliação predominante é de que a vaga de vice-governador, inicialmente ventilada em uma eventual chapa com Cleitinho, dificilmente permaneceria com o Republicanos caso a candidatura ao Governo avance e o PL entre formalmente na composição.
A lógica é simples: a vice se transformou em uma das moedas mais estratégicas das alianças estaduais, principalmente em um cenário nacional cada vez mais polarizado.
Sem Cleitinho candidato ao Governo, o cenário muda novamente. O Republicanos poderia até lançar um nome próprio, e Falcão aparece naturalmente entre os cotados. Ainda assim, interlocutores consideram mais provável um grande acordo entre partidos de centro-direita, com o Republicanos indicando vice, Senado ou coordenação política da campanha majoritária.
O risco da disputa proporcional
É justamente nesse ponto que cresce a dúvida sobre qual seria o movimento mais inteligente para Falcão.
A candidatura a deputado federal é vista por muitos como o caminho mais arriscado. O Republicanos deve montar uma das chapas mais competitivas de Minas Gerais, reunindo nomes já consolidados, figuras com forte estrutura financeira e lideranças com densidade eleitoral regional.
Nos bastidores, há quem diga que será necessário ultrapassar a marca dos 110 mil votos para disputar efetivamente as vagas reais do partido.
Além disso, a região de Patos de Minas já possui múltiplas forças políticas em atuação, tanto à direita quanto à esquerda. Isso reduz espaço, fragmenta votos e aumenta exponencialmente o custo político de uma disputa proporcional.
E existe ainda um fator considerado delicado por aliados próximos: perder uma eleição para deputado federal logo após deixar uma prefeitura bem avaliada poderia gerar um desgaste desnecessário para uma liderança ainda jovem.
Na política, derrotas precoces costumam produzir marcas mais duradouras do que mandatos curtos.
O fator tempo
Aos olhos de aliados, Falcão ainda possui um ativo raro na política mineira: tempo.
Jovem, bem avaliado administrativamente e sem desgaste eleitoral direto, o ex-prefeito pode ter mais a perder entrando em uma disputa errada do que aguardando uma composição mais sólida em 2026.
Aliados próximos avaliam que Falcão possui hoje uma combinação difícil de encontrar: imagem preservada, currículo administrativo sólido e potencial de construção estadual.
Por isso, cresce entre interlocutores a percepção de que talvez seu maior desafio neste momento não seja disputar uma eleição — mas escolher qual eleição realmente vale a pena disputar.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

