O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco vive um dos momentos mais delicados da sua trajetória política. De um lado, a possibilidade real de disputar o governo de Minas Gerais com apoio do PT. Do outro, um cenário que pode abrir vaga no Supremo Tribunal Federal.
E no meio disso tudo, o caso envolvendo o ministro Dias Toffoli.
O Banco Master e o risco institucional
As polêmicas em torno do Banco Master geraram pedidos de impeachment contra Toffoli no Senado. Ainda que a cassação de um ministro do STF seja algo raríssimo e politicamente complexo, o simples fato de haver pressão já cria instabilidade.
E é aqui que entra Pacheco.
Ele presidiu o Senado. Ele conhece o rito. Ele sabe que um processo de impeachment contra ministro do Supremo não é apenas jurídico — é essencialmente político.
Se houver ambiente para avançar contra Toffoli, abre-se uma possibilidade concreta de vaga no STF.
O cálculo silencioso
Pacheco nunca escondeu que seu nome circula com força nos bastidores para uma eventual indicação ao Supremo. Ele tem perfil técnico, trânsito político e histórico institucional.
Mas há um detalhe determinante:
Toffoli foi indicado ao STF por Luiz Inácio Lula da Silva.
E a política tem memória.
Quando Lula estava preso e seu irmão morreu, o pedido para ir ao funeral foi negado pela juíza da execução penal em Curitiba, Carolina Lebbos, e decisões posteriores mantiveram o entendimento sob argumentos de segurança. A decisão não foi de Dias Toffoli, embora ele fosse presidente do STF na ocasião. O episódio ficou politicamente associado ao ambiente institucional do Judiciário e marcou a memória do período.
Isso cria uma camada adicional no tabuleiro.
Minas ou Supremo?
Se Pacheco anunciar candidatura ao governo de Minas e, semanas depois, surgir uma vaga no STF, ele estará fora do jogo da Suprema Corte.
Se ele não se movimentar politicamente agora, pode perder espaço em Minas.
É o clássico dilema de quem joga em dois tabuleiros.
Por isso o silêncio.
Por isso as reuniões sem definição.
Por isso a cautela.
Pacheco sabe que, no Brasil, sem proteção política, não há jogo. E uma cadeira no STF depende de timing, articulação e ambiente.
A pergunta que fica é:
Ele está esperando Minas… ou esperando Brasília?

Coluna Poder • Conteúdo assinado por Adelino Júnior , jornalista e editor-chefe do Regionalzão, acompanhando os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
A política é decidida nos bastidores — e analisada aqui. Para acompanhar as análises estratégicas e entrar no canal exclusivo no Instagram:
Ao seguir o perfil, você pode entrar no canal de transmissão e receber análises em primeira mão.
