Bastidores da política em primeira mão
Antes de qualquer ranking, um número resume a eleição em Minas: 86% dos eleitores ainda não sabem em quem votar.
A nova pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral em Minas Gerais, registrada no TSE sob o número MG-08646/2026, ouviu 1.482 eleitores entre os dias 22 e 26 de abril de 2026, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Mais do que apontar quem está na frente, o levantamento revela algo mais profundo: um eleitor contraditório.
Os números não caminham todos na mesma direção. Pelo contrário. Eles mostram um estado onde aprovação, mudança, liderança e indecisão convivem ao mesmo tempo.
E é exatamente isso que explica por que a eleição segue aberta.
86% ainda não sabem em quem votar
O dado mais revelador da pesquisa está na intenção de voto espontânea: 86% dos eleitores dizem não saber em quem votar.
Esse número muda a leitura de todo o cenário.
Na prática, ele mostra que o que existe hoje não é uma disputa consolidada, mas um ponto de partida. A liderança aparece, mas ainda não está sedimentada.
Com um eleitor majoritariamente indefinido, a tendência pode mudar — e rápido — conforme a campanha avance e os nomes se posicionem com mais clareza.

Aprova, mas não quer continuidade
O governador Romeu Zema mantém aprovação relevante, com cerca de 52% de aprovação. Ainda assim, 49% dos eleitores dizem que ele não merece eleger um sucessor, mostrando resistência à continuidade automática.
Esse é um dos dados mais simbólicos da pesquisa.
“O eleitor aprova a gestão, mas não quer dar um cheque em branco”, resume um analista ouvido pela coluna.
Na prática, isso desmonta a lógica tradicional de transferência automática de voto.


Quer mudança, mas não rompe com o sistema
A maioria dos eleitores quer mudança. Seja total ou parcial.
Mas o principal nome da disputa hoje, Cleitinho, já faz parte do sistema político.
A contradição é evidente.
O eleitor não necessariamente busca um outsider. Busca alguém que represente um estilo diferente — mesmo vindo de dentro da política.


Conhece, mas não escolhe
O senador Rodrigo Pacheco é um dos nomes mais conhecidos do estado.
Mesmo assim, aparece atrás nos cenários.
Esse é um dos sinais mais claros da pesquisa: visibilidade não está se convertendo em voto.
Nos bastidores, a leitura é direta: “Ele ainda não virou opção na cabeça do eleitor”.


Lidera, mas não define
Cleitinho aparece na frente nos cenários, chegando a até 37% das intenções de voto, e vence disputas de segundo turno contra os principais adversários.
Mas isso não fecha a eleição.
Ainda há um volume relevante de eleitores que pode mudar de voto. E, historicamente, lideranças antecipadas tendem a concentrar ataques ao longo da campanha.
Ou seja: há liderança, mas não há definição.

Bolsonaristas votam em candidata do PT ao Senado
Outro dado que chama atenção na pesquisa aparece na disputa para o Senado: há eleitores que se declaram bolsonaristas e, ainda assim, indicam voto em Marília Campos.
O dado quebra a lógica da polarização: eleitores que se dizem bolsonaristas aparecem indicando voto em uma candidata do PT.
O cruzamento revela um comportamento pouco comum na polarização recente.
Na prática, mostra que o voto para o Senado pode seguir uma lógica diferente da disputa para o governo — menos ideológica e mais pragmática.
Esse tipo de movimento reforça a tese central da pesquisa: o eleitor mineiro não está completamente alinhado a blocos rígidos.

Quer mudar, mas não tem alternativa clara
Outro ponto que chama atenção é a fragmentação.
O eleitor quer mudança, mas os nomes tradicionais ainda não conseguiram se consolidar como alternativa forte.
Isso cria um cenário de transição.
E abre espaço para crescimento rápido — ou para rearranjos políticos inesperados.

O retrato real da eleição
Se fosse preciso resumir a pesquisa em uma frase, seria essa:
Minas vive uma eleição contraditória.
Aprova o governo, mas não quer continuidade.
Quer mudança, mas não rompe com a política.
Tem um líder, mas não tem definição.
A eleição não está decidida.
Os sinais estão dados. Resta saber quem vai conseguir transformar contradição em voto.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

