Por que Paulo Sérgio apoia tantos candidatos nesta eleição? A pergunta aparece à medida que o prefeito de Uberlândia se aproxima de diferentes nomes nas disputas para deputado federal, estadual e Senado.
À primeira vista, pode parecer o velho movimento político de ficar bem com todo mundo. Mas, quando se olha para o momento político de Paulo e para a eleição municipal de 2028, há uma leitura mais profunda: distribuir apoios também significa distribuir riscos.
Uberlândia não cabe em um deputado
Existe primeiro uma explicação institucional.
Uberlândia é uma das maiores cidades de Minas Gerais. Tem demandas em Brasília, no Governo de Minas e na Assembleia Legislativa que dificilmente poderiam ficar concentradas na relação com apenas um parlamentar.
Quanto mais deputados próximos da administração municipal, maior o número de portas abertas para discutir recursos, emendas, obras e projetos.
Portanto, para uma cidade desse tamanho, conversar e construir relações com diferentes parlamentares não é algo fora do comum.
A questão interessante está no componente eleitoral dessa estratégia.
Paulo ainda constrói seu próprio capital político
Paulo Sérgio chegou à Prefeitura apoiado por uma estrutura política consolidada. Também comanda uma máquina pública que, naturalmente, possui peso político.
Mas está no primeiro mandato como prefeito.
Isso significa que ainda constrói sua própria capilaridade eleitoral e sua identidade como principal liderança de um grupo político.
E 2026 poderia facilmente se transformar em um teste dessa força.
Imagine um cenário em que Paulo escolhesse apenas um candidato a deputado federal. Colocasse todo o grupo, lideranças e estrutura política em torno daquele nome.
Se o candidato tivesse uma votação expressiva e fosse eleito, o prefeito poderia sair fortalecido.
Mas, se perdesse, a leitura inversa também apareceria: Paulo colocou tudo o que tinha em campo e não conseguiu eleger seu candidato.
Seria uma fotografia muito mais nítida de sua capacidade de transferência eleitoral a apenas dois anos da disputa municipal.
Seis candidatos, quatro eleitos
Agora imagine outra situação.
Paulo apoia seis candidatos. Quatro são eleitos e dois ficam pelo caminho.
É evidente que os derrotados podem reclamar. Podem dizer que faltou empenho, que o apoio foi pulverizado ou até atribuir parte do resultado à estratégia adotada pelo prefeito.
Mas, para o saldo político de Paulo Sérgio, a fotografia seria outra.
Ele terminaria a eleição relacionado politicamente a quatro parlamentares eleitos.
E é justamente aí que a pulverização funciona como redução de risco.
Uma derrota individual pode gerar desgaste com aquele candidato. Quatro vitórias, porém, produzem quatro relações políticas que continuam depois da eleição.
Concentrar apoio aumenta a possibilidade de demonstrar força, mas também concentra o risco da derrota. Distribuir apoio dificulta medir exatamente quantos votos o prefeito transfere, mas aumenta as possibilidades de terminar a eleição ao lado de vencedores.
Esse talvez seja o ponto central para compreender o tabuleiro montado por Paulo Sérgio.
Muitos apoios, mas pesos diferentes
A lista é grande, mas isso não significa que todos recebam o mesmo tratamento político.
Entre os nomes relacionados ao grupo do prefeito na disputa para deputado federal estão Weliton Prado, Zé Vitor, Delegada Lia Valechi, Ronaldo Tanus e Caporezzo.
Dentro desse grupo, porém, Weliton Prado e Zé Vitor aparecem com mais vigor no apoio de Paulo Sérgio.
Essa diferença é importante para entender a estratégia.
Paulo não necessariamente divide seu capital político em partes iguais. Ele pode manter uma rede ampla de candidaturas e, ao mesmo tempo, demonstrar maior empenho por determinados nomes.
É quase uma carteira política diversificada, mas com apostas de pesos diferentes.
Para deputado estadual, aparecem Arnaldo Silva — hoje um dos nomes de maior proximidade com Paulo — e Elismar Prado.
Fernando Breno também circula politicamente próximo ao grupo, embora, neste caso, não haja até aqui uma formalização de apoio que permita colocá-lo no mesmo patamar dos demais.
No Senado, Paulo mantém relações políticas com candidaturas como Aécio Neves, Carlos Viana e Marcelo Aro.
O resultado é um tabuleiro bastante amplo, mas não necessariamente horizontal.
Em vez de uma eleição com um único candidato carregando o peso de representar a força eleitoral do prefeito, Paulo espalha sua presença por diferentes campanhas e, dentro desse conjunto, estabelece prioridades.
O contraponto de Odelmo
O histórico recente de Uberlândia oferece uma comparação interessante.
Em 2018, Odelmo Leão concentrou grande parte de seu capital político na tentativa de eleger Ana Paula Leão. A candidatura não conseguiu chegar à Câmara dos Deputados naquela eleição.
O contexto, porém, era completamente diferente.
Odelmo já havia ocupado a Prefeitura por dois mandatos e retornado ao cargo em 2017. Tinha uma trajetória eleitoral própria consolidada e havia voltado ao comando do município em um cenário político distinto.
Ele podia correr um risco que Paulo talvez não tenha razão para correr agora.
Uma derrota de seu candidato não era suficiente para colocar em dúvida a força eleitoral acumulada por Odelmo ao longo de décadas.
Paulo ainda está construindo essa história.
O verdadeiro teste está em 2028
Há outro detalhe importante.
Para Paulo Sérgio, a eleição que realmente poderá medir sua força municipal será a de 2028, caso dispute a reeleição.
É quando seu nome estará diretamente na urna para prefeito.
Por que, então, transformar 2026 em um teste antecipado de capacidade de transferência de votos se existe a possibilidade de ampliar relações políticas sem assumir sozinho esse risco?
É aí que a conta começa a fazer sentido.
Se vários dos candidatos apoiados forem eleitos, Paulo chega ao período seguinte podendo dialogar com deputados estaduais, federais e senadores que receberam seu apoio em Uberlândia.
Isso não garante reciprocidade em 2028. Política não funciona como contrato automático de fidelidade.
Mas amplia o tabuleiro.
Existe um preço
A estratégia também tem riscos.
Apoiar muitos significa dividir o apoio.
Um candidato que tenha o prefeito como seu principal cabo eleitoral certamente preferiria exclusividade. Quando precisa compartilhar lideranças, agendas e estrutura política com outros concorrentes, o valor individual daquele apoio diminui.
E os derrotados podem cobrar a conta.
Também não existe garantia de que todos os eleitos em 2026 estarão ao lado de Paulo em 2028. Partidos mudam de posição, alianças são reconstruídas e interesses estaduais e nacionais podem colocar aliados atuais em campos diferentes daqui a dois anos.
Ainda assim, a matemática política desta eleição é interessante.
Se Paulo apostar tudo em um nome e esse nome perder, termina a eleição com uma derrota fácil de ser associada à sua própria força.
Se distribuir seus apoios entre vários candidatos e uma parcela relevante deles for eleita, o saldo político permite outra fotografia.
E o fato de Weliton Prado e Zé Vitor receberem apoio com maior vigor mostra que pulverização não significa ausência de prioridade. Há diferentes níveis de investimento político dentro do mesmo tabuleiro.
Talvez por isso 2026 não seja, para Paulo Sérgio, a eleição para descobrir quantos votos consegue entregar a um único candidato.
Pode ser a eleição para descobrir quantos candidatos apoiados consegue transformar em parlamentares eleitos antes de chegar a 2028.


Mais um traíra sem caráter. Venceu porque foi apoiado pela direita. Agora apoia a esquerda.