A disputa presidencial de 2026 começa a revelar um movimento importante nos bastidores da política nacional: o eleitorado identificado com o bolsonarismo aparece hoje mais consolidado do que a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
É o que aponta a nova pesquisa Meio/Ideia, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05356/2026.
Além do empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno, o levantamento traz um dado que começa a preocupar setores do Palácio do Planalto: o grau de consolidação do voto.
Segundo a pesquisa, os eleitores de Flávio Bolsonaro demonstram hoje maior convicção sobre a escolha para 2026 quando comparados aos eleitores de Lula.
O dado reforça uma percepção que já circula nos bastidores de Brasília: enquanto o eleitorado bolsonarista começa a se reorganizar rapidamente em torno de um nome, a base lulista ainda apresenta maior oscilação e depende mais da dinâmica da campanha.
Direita começa a se unificar
A pesquisa mostra que Flávio Bolsonaro atingiu 45,3% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula, que aparece com 44,7%.
Apesar do empate técnico, a evolução dos números chama atenção.
Os gráficos apresentados pelo instituto indicam crescimento gradual de Flávio nos últimos meses, enquanto Lula aparece mais estável.
Nos bastidores da direita, a leitura é que parte do eleitorado conservador já começa a enxergar Flávio como possível herdeiro político direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A consolidação antecipada da base é vista como uma vantagem estratégica.
Isso porque campanhas eleitorais longas costumam favorecer candidatos que entram no processo com eleitorado fiel e mobilizado.
Lula ainda mantém força competitiva
Mesmo diante do avanço de Flávio Bolsonaro, aliados do governo avaliam que Lula continua competitivo em praticamente todos os cenários testados.
O presidente aparece numericamente à frente contra Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de manter forte presença eleitoral no Nordeste.
A preocupação maior no entorno do Planalto, porém, é outra.
Assessores do governo admitem reservadamente que o desgaste econômico, somado ao crescimento da rejeição ao governo em áreas como segurança pública e economia, pode dificultar a manutenção da vantagem eleitoral até 2026.
Outro ponto observado é que muitos eleitores ainda não demonstram voto totalmente consolidado.
A própria pesquisa mostra que parcela significativa do eleitorado admite possibilidade de mudança até o período oficial da campanha.
A disputa pelo espólio bolsonarista
Dentro da oposição, o levantamento também aumenta a pressão sobre outros nomes da direita.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem competitivos, mas ainda sem capacidade de conversão eleitoral semelhante à de Flávio Bolsonaro.
A avaliação em setores conservadores é que Flávio carrega hoje o maior potencial de transferência direta do eleitorado ligado ao bolsonarismo raiz.
Nos bastidores, integrantes da direita avaliam que o senador se beneficia principalmente da associação direta com Jair Bolsonaro, enquanto outros governadores e lideranças ainda tentam construir identidade nacional própria.
O resultado da pesquisa reforça que a corrida presidencial de 2026 começa, cada vez mais, a girar em torno da reorganização do eleitorado conservador.
Veja pesquisa na integra:
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

