Quaest: quem sobe, quem cai e quem ainda pode surpreender na disputa em Minas

Cleitinho perde seis pontos e vê vantagem diminuir; Patrus assume segundo lugar, mas rejeição elevada pode limitar crescimento, enquanto Mateus Simões aparece com espaço para avançar

Eloi Naves
Sede do Governo de MG
Sede do governo de Minas Gerais ao fim da tarde.Foto: Seccom MG

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A nova pesquisa Quaest para o Governo de Minas Gerais mantém Cleitinho Azevedo (Republicanos) como favorito, mas uma análise além dos números do primeiro turno mostra uma disputa mais complexa do que a diferença de 18 pontos para o segundo colocado pode sugerir.

Cleitinho aparece com 29% das intenções de voto, seguido por Patrus Ananias (PT), com 11%, Alexandre Kalil (PDT), com 10%, Mateus Simões (PSD), com 7%, Gabriel Azevedo (MDB), com 5%, e Flávio Roscoe (PL), com 3%.

No entanto, três outros indicadores ajudam a entender para onde a eleição pode caminhar: a rejeição dos candidatos, o potencial declarado de voto e o alto número de eleitores que ainda admitem mudar de escolha.

E é justamente nessa combinação que aparecem os principais desafios e oportunidades de cada campanha. 

Cleitinho cai seis pontos e vantagem diminui

A primeira mudança relevante está no desempenho de Cleitinho.

Na Quaest divulgada em 28 de julho, o senador aparecia com 35% das intenções de voto. Agora tem 29%. A diferença é de seis pontos percentuais.

No mesmo período, Patrus passou de 10% para 11%, enquanto Kalil caiu de 12% para 10%. Mateus Simões foi de 6% para 7%.

Com isso, a vantagem de Cleitinho sobre o segundo colocado passou de 23 pontos, na comparação com Patrus em julho, para 18 pontos agora.

Embora as variações devam ser observadas considerando a margem de erro de cada levantamento, a redução é um sinal importante porque ocorre justamente depois da entrada oficial da campanha.

Cleitinho continua muito à frente, mas já não reproduz o patamar de 35% que havia alcançado antes da oficialização das candidaturas. 

Cleitinho tem uma vantagem que vai além dos 29%

A queda, porém, não significa que Cleitinho esteja necessariamente próximo de um teto eleitoral.

Quando a Quaest pergunta se o eleitor conhece determinado candidato e votaria nele, 46% afirmam conhecer Cleitinho e considerar votar no senador.

Esse é um dado particularmente relevante.

Cleitinho tem 29% na intenção estimulada, mas um potencial declarado de voto de 46%. Existe, portanto, um contingente considerável de eleitores que não declara voto nele neste momento, mas não descarta fazê-lo.

Sua rejeição também permanece relativamente baixa: 20% dizem conhecer Cleitinho e não votar nele.

Isso significa que, apesar da queda de seis pontos, o líder continua combinando três vantagens: primeiro lugar isolado, maior potencial de voto e rejeição significativamente menor que os dois adversários que aparecem imediatamente atrás dele. 

Patrus cresce, mas encontra uma barreira importante

Patrus Ananias talvez tenha o resultado politicamente mais interessante da rodada.

O candidato do PT passou de 10% para 11% e assumiu numericamente a segunda colocação, ultrapassando Alexandre Kalil, que caiu para 10%.

A diferença está dentro da margem de erro, mas há uma mudança de fotografia: Patrus inicia a campanha oficial como o nome numericamente mais próximo de Cleitinho.

O problema para o petista aparece quando se observa a rejeição.

Segundo a Quaest, 40% dos mineiros dizem conhecer Patrus e não votariam nele.

É praticamente o dobro dos 20% registrados por Cleitinho.

A rejeição pode funcionar como um teto importante para Patrus, especialmente caso ele consiga consolidar o eleitorado lulista e passe a disputar votos além da base tradicional do PT.

Por outro lado, a eleição nacional pode funcionar como combustível para sua candidatura. A Quaest mostra que 34% dos entrevistados gostariam de eleger um governador aliado do presidente Lula, enquanto 31% preferem um governador independente e 30% desejam um aliado de Flávio Bolsonaro. 

O apoio de Lula pode ajudar Patrus, mas também tem limite

A pesquisa mede diretamente o efeito do apoio presidencial.

Para 23% dos mineiros, o apoio de Lula aumenta a chance de votar em determinado candidato. Para 38%, não faz diferença. Outros 36% afirmam que o apoio do presidente diminui a possibilidade de voto.

O dado mostra a força e, ao mesmo tempo, o limite da estratégia de nacionalização da candidatura de Patrus.

Lula pode ser fundamental para consolidar uma base eleitoral que ainda não migrou integralmente para o candidato do PT, mas sua associação também produz resistência em outra parcela expressiva do eleitorado.

Isso ajuda a explicar por que Patrus aparece competitivo na disputa pelo segundo turno, mas também registra uma rejeição de 40%. 

Kalil tem talvez o problema mais difícil da eleição

Se Patrus enfrenta rejeição elevada, Alexandre Kalil encontra um quadro ainda mais complicado.

O ex-prefeito de Belo Horizonte passou de 12% para 10% entre julho e agosto e perdeu a segunda colocação numérica.

Mais importante: 41% dos entrevistados afirmam conhecer Kalil e não votar nele, a maior rejeição entre os principais candidatos.

Na prática, Kalil reúne bastante conhecimento eleitoral, resultado de sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte e da candidatura ao Governo de Minas em 2022, mas parte relevante desse conhecimento já vem acompanhada de uma opinião negativa consolidada.

É uma situação diferente da de candidatos menos conhecidos.

Um candidato desconhecido pode crescer à medida que se apresenta ao eleitorado. Um candidato muito conhecido e rejeitado precisa convencer eleitores que já formaram uma opinião contrária sobre ele.

Esse é provavelmente o maior desafio da candidatura de Kalil. 

Mas Kalil mostra força impressionante no segundo turno

Existe, porém, uma aparente contradição.

Mesmo com 41% de rejeição, Kalil apresenta desempenho muito mais forte quando colocado diretamente contra alguns adversários.

Em eventual segundo turno contra Patrus, Kalil venceria por 42% a 18%.

Contra Mateus Simões, a disputa seria praticamente empatada: 32% para Kalil e 30% para Simões.

Isso indica que a rejeição de Kalil não necessariamente impede sua competitividade em uma eleição binária. Dependendo do adversário, ele consegue agregar votos de eleitores que talvez não o tenham como primeira opção.

Contra Cleitinho, entretanto, essa capacidade é insuficiente: o senador venceria por 48% a 27%

Mateus Simões: poucos votos hoje, mas muito espaço para crescer

Entre os candidatos abaixo dos dois dígitos, Mateus Simões apresenta talvez o dado mais interessante.

O governador aparece com apenas 7% das intenções de voto.

Mas, quando a Quaest mede potencial eleitoral, 31% afirmam conhecer Simões e considerar votar nele.

Sua rejeição é de apenas 16%, inferior à de Cleitinho, Patrus e Kalil.

A distância entre os atuais 7% e os 31% que dizem conhecê-lo e poder votar nele mostra que Simões possui um eleitorado potencial consideravelmente maior do que sua intenção de voto atual.

Isso não significa que chegará a 31%. Potencial de voto não é projeção de resultado. Mas indica que existe menos resistência à sua candidatura do que os 7% poderiam sugerir.

É justamente aí que está a principal possibilidade de crescimento do governador durante a campanha. 

Zema ajuda Simões, mas não resolve sozinho

Mateus Simões também terá o desafio de transformar a aprovação do atual ciclo de governo em voto.

A Quaest mostra que 37% aprovam a gestão estadual e 27% desaprovam. Outros 36% não souberam responder.

Quando a pergunta é se Romeu Zema merece eleger um sucessor, entretanto, o cenário é mais difícil: 40% dizem que sim, enquanto 47% respondem que não.

O apoio de Zema aumenta a chance de voto para 26% dos entrevistados, não faz diferença para 49% e reduz a chance para 21%.

Portanto, Simões pode se beneficiar da associação com o ex-governador, mas dificilmente conseguirá construir toda a candidatura apenas como uma continuidade de Zema. 

Eleitor mineiro quer mudança, mas não necessariamente ruptura

Outro dado ajuda a entender esse cenário.

Apenas 16% dizem que o próximo governador deveria simplesmente continuar o trabalho atual.

Por outro lado, somente 37% querem uma mudança completa.

O maior grupo, 43%, prefere que o próximo governador mantenha aquilo que funciona e mude apenas o que não está bom.

Somadas, as respostas mostram que 80% desejam algum nível de mudança, mas a maior parcela não pede ruptura completa.

Isso cria um ambiente interessante tanto para candidatos de oposição quanto para Mateus Simões: a eleição pode ser decidida por quem conseguir representar mudança sem necessariamente transmitir a ideia de ruptura radical. 

Roscoe precisa transformar Bolsonaro em voto

Flávio Roscoe aparece com 3%, apenas um ponto acima dos 2% registrados em julho.

Para o candidato do PL, o desafio é evidente: transformar o peso eleitoral da direita bolsonarista em voto para sua candidatura.

A Quaest mostra que 30% dos mineiros gostariam que o próximo governador fosse aliado de Flávio Bolsonaro.

Além disso, o apoio do candidato presidencial do PL aumenta a chance de voto para 27% dos entrevistados, enquanto diminui para 28% e não produz efeito para 40%.

Existe, portanto, um eleitorado potencial expressivo associado ao campo bolsonarista, mas Roscoe ainda captura uma parcela muito pequena dele.

E há um complicador: Cleitinho também disputa fortemente esse eleitorado, mesmo não sendo o candidato oficial do PL. 

45% ainda admitem mudar de candidato

Talvez o número mais importante para todos que tentam alcançar Cleitinho seja este: 45% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de voto até 4 de outubro.

Outros 54% afirmam que sua escolha já é definitiva.

Além disso, na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados, 80% não conseguem apontar espontaneamente um candidato a governador.

Cleitinho lidera também nesse cenário, mas cai para 11%. Patrus aparece com 3%, Kalil com 2%, enquanto Simões e Gabriel têm 1% cada.

Isso mostra que a eleição ainda está longe de estar completamente cristalizada na memória do eleitor. 

Quem tem mais condições de crescer?

O retrato da Quaest permite separar os candidatos em situações bastante diferentes.

Cleitinho continua sendo o favorito. Caiu seis pontos, mas tem 29%, potencial de voto de 46%, rejeição de apenas 20% e vence todos os segundos turnos em que é testado.

Patrus ganhou a segunda posição numérica e conta com Lula para tentar consolidar o eleitorado petista, mas enfrenta rejeição de 40%, que pode limitar a expansão para além de sua base.

Kalil continua competitivo e mostra força em alguns confrontos de segundo turno, mas tem a maior rejeição entre os principais nomes, 41%, além de ter caído de 12% para 10%.

Mateus Simões é quem apresenta a maior diferença proporcional entre intenção atual e potencial: tem 7%, mas 31% dizem conhecê-lo e poder votar nele. Sua rejeição, de 16%, também é baixa.

Roscoe, por sua vez, possui um campo ideológico potencialmente grande para explorar, mas ainda não conseguiu converter o eleitorado bolsonarista em intenção de voto.

Favoritismo permanece, mas corrida pelo segundo turno está aberta

A fotografia atual ainda é claramente favorável a Cleitinho.

Além dos 29% no primeiro turno, o senador teria 48% contra 27% de Kalil, 51% contra 26% de Patrus e 49% contra 17% de Mateus Simões em eventuais segundos turnos. 

Mas a redução de seis pontos desde julho, o crescimento dos indecisos no cenário estimulado e o fato de 45% ainda admitirem mudar de voto colocam um elemento de cautela sobre qualquer conclusão definitiva.

A pergunta central da campanha mineira, portanto, talvez não seja apenas se alguém conseguirá alcançar Cleitinho.

Antes disso, Patrus, Kalil e Simões precisarão resolver problemas diferentes: Patrus precisa crescer sem ampliar sua rejeição; Kalil precisa recuperar votos apesar de uma rejeição já elevada; e Simões precisa converter potencial em intenção efetiva de voto.

Cleitinho, enquanto isso, enfrenta um desafio diferente: descobrir se a queda de 35% para 29% representa apenas uma oscilação entre pesquisas ou o início de uma tendência de redução de sua vantagem.

A próxima rodada da Quaest poderá começar a responder essa questão.

Sobre a pesquisa: a Quaest ouviu 1.506 eleitores de Minas Gerais entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o número MG-04060/2026

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