Após reportagem do Intercept, Prefeitura se posiciona sobre data center

Município afirma que não cabe ao Executivo analisar composições societárias do empreendimento da RT-One; projeto foi anunciado oficialmente pela administração municipal

Adelino Júnior
Fachada do centro administrativo onde é administrada a cidade de Uberlândia
Centro Administrativo Virgílio Galassi

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A Prefeitura de ⁠Uberlândia afirmou que não é competência nem responsabilidade do Município analisar as composições societárias e a evolução privada do projeto do data center da RT-One.

O posicionamento foi enviado ao Regionalzão após questionamentos motivados por uma reportagem do ⁠Intercept Brasil. A apuração revelou informações sobre o terreno destinado ao empreendimento anunciado com investimento inicial superior a R$ 6 bilhões.

Segundo o Intercept, uma área de 960 mil metros quadrados destinada ao projeto pertence ao Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri. O veículo afirma que o fundo foi administrado até meados de 2025 pela Reag Trust e, posteriormente, passou à gestão da WNT Capital. A reportagem relaciona as gestoras a investigações no contexto do caso Banco Master.  

A apuração também afirma que o Intercept teve acesso a um inquérito civil em andamento no Ministério Público Federal (MPF). O procedimento, iniciado em setembro de 2025, apura medidas ambientais adotadas pelo poder público relacionadas à instalação do data center.

Prefeitura delimita responsabilidade do Município

Questionada pelo Regionalzão, a Prefeitura afirmou que o estágio do projeto dentro das competências municipais já havia sido divulgado oficialmente.

“O status do projeto em relação às competências exclusivas do Poder Executivo municipal sobre qualquer empreendimento já foi divulgado e você pode conferir aqui”, respondeu a Secretaria Municipal de Comunicação.

Na sequência, o Município afirmou que questões ligadas à composição societária e à evolução do empreendimento devem ser tratadas diretamente com a empresa.

“Cabe ressaltar que composições societárias e a evolução do empreendimento estão na esfera privada, não são de competência e responsabilidade do Município analisar e, portanto, quaisquer dúvidas relacionadas neste sentido devem ser dirimidas diretamente com a empresa”, informou a Prefeitura ao Regionalzão.

A administração municipal indicou uma  ⁠publicação oficial de fevereiro de 2026 sobre o andamento do data center.

Na ocasião, a Prefeitura informou que o empreendimento avançava nas etapas relacionadas às competências municipais. O Município também afirmou que a RT-One ainda precisaria requerer eventuais licenças, como a ambiental, à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), por se tratar de instalação em zona rural.  

Projeto foi anunciado oficialmente pela Prefeitura

O projeto do data center recebeu destaque institucional da Prefeitura desde julho de 2025.

Naquele mês, o Município anunciou a chegada do empreendimento e atribuiu o resultado aos esforços da administração municipal para atrair investimentos e estimular o desenvolvimento local. A divulgação oficial informou investimento inicial de R$ 6 bilhões e expectativa de cerca de 2 mil empregos permanentes, diretos e indiretos, nos três primeiros anos de operação.  

O anúncio ocorreu no Centro Administrativo Municipal e contou com a presença do prefeito Paulo Sérgio e do CEO da RT-One, Fernando Palamone.

Na época, a administração municipal informou que a RT-One havia anunciado a aquisição de uma área superior a 1 milhão de metros quadrados na região Oeste de Uberlândia, às margens da MGC-497. O comunicado oficial também voltou a destacar o investimento superior a R$ 6 bilhões.  

Foto: Acervo/Regionalzão

Intercept aponta contrato de R$ 1 mil por mês

Segundo a reportagem do Intercept, o inquérito civil do MPF contém um contrato de arrendamento assinado em dezembro de 2025 entre a RT-One e o Fundo Bacuri.

O documento, conforme o veículo, prevê o uso de uma área de 96 hectares em Uberlândia pelo valor de R$ 1 mil mensais durante 15 anos.  

A reportagem também aponta diferenças nos valores atribuídos ao imóvel.

De acordo com o Intercept, a certidão do terreno registra avaliação de R$ 1,78 milhão para fins fiscais. Já as notas explicativas anexadas às demonstrações financeiras de 2025 do Fundo Bacuri informam que a área foi comprada por R$ 14 milhões em 2019 e passou a ser avaliada em R$ 76 milhões no fim de 2025.  

Ainda segundo o veículo, auditores independentes relataram não ter recebido os laudos de avaliação da propriedade. A ausência dos documentos teria impedido a obtenção de evidências suficientes sobre os resultados apresentados pelo fundo.  

O Intercept informa que a WNT afirmou que a operação com o terreno “não teve continuidade” e declarou não possuir relação com a Reag.

Já a RT-One disse ao veículo que o projeto envolve estruturas contratuais privadas e diferentes instrumentos jurídicos e operacionais. A empresa afirmou ainda que não comenta detalhes de contratos privados ou informações protegidas por confidencialidade e declarou seguir os instrumentos legais e procedimentos regulatórios aplicáveis.  

O Regionalzão mantém espaço aberto para novos esclarecimentos da RT-One e das demais partes citadas.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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