Após romper contrato do terreno, qual será o futuro do data center bilionário em Uberlândia?

Empresa afirma que busca uma nova área para o empreendimento, mas ainda não informou cronograma, localização nem os impactos da mudança no projeto anunciado para a cidade

Adelino Júnior
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Foto: Divulgação

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O anúncio da rescisão do contrato da área inicialmente escolhida para a implantação do data center da RT-One em Uberlândia encerrou um dos capítulos mais recentes envolvendo o empreendimento bilionário. No entanto, ao mesmo tempo em que a empresa afirma manter o projeto, a decisão abre uma nova fase cercada por questionamentos.

Em comunicado divulgado ontem (15), a RT-One informou que o contrato referente ao terreno foi encerrado de comum acordo entre as partes. Segundo a empresa, a medida faz parte de um processo de reestruturação do projeto e não altera o interesse em instalar o empreendimento.

A companhia afirmou que já iniciou a busca por uma nova área e destacou que avalia alternativas “em Uberlândia e em outras localidades”, sem informar quais regiões estão sendo consideradas.

Embora a empresa tenha reafirmado seu compromisso com o investimento, ainda não respondeu a perguntas importantes para o futuro do projeto.

Projeto continua, mas terreno será outro

O empreendimento foi anunciado em 2025 como um dos maiores investimentos privados da história de Uberlândia.

Na ocasião, a RT-One informou investimento inicial superior a R$ 6 bilhões e apresentou o projeto como o primeiro grande data center voltado à inteligência artificial da região Sudeste.

Ao confirmar a rescisão do contrato da área originalmente escolhida, porém, a empresa não informou quando pretende definir o novo terreno.

Também não esclareceu se o cronograma inicialmente apresentado permanece válido ou se haverá atraso no início das obras.

Outro ponto que permanece sem resposta é se a mudança de área poderá alterar alguma característica técnica do empreendimento.

Perguntas continuam sem resposta

Apesar do comunicado oficial, diversas questões permanecem abertas.

Entre elas estão:

  • quando será anunciada a nova área;
  • se o investimento permanece estimado em R$ 6 bilhões;
  • se haverá alteração no cronograma das obras;
  • quando começará a construção;
  • se parte do processo de licenciamento precisará ser refeita;
  • e se Uberlândia continua sendo a única cidade considerada para receber o empreendimento.

Até o momento, a RT-One não divulgou informações sobre esses pontos.

Mudança não encerra discussões ambientais

Outro aspecto importante é que a mudança do terreno não significa, necessariamente, o fim das discussões envolvendo os impactos do empreendimento.

O procedimento instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) trata de questões relacionadas ao projeto como um todo e não apenas à área inicialmente escolhida.

Entre os temas analisados pelo órgão estão o consumo de água, a disponibilidade de energia elétrica, o sistema de refrigeração, a geração de resíduos, os impactos ambientais e a necessidade de manifestações de órgãos como Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Cemig, IGAM, Ibama e Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Com isso, mesmo que o local de instalação seja alterado, parte das discussões técnicas relacionadas ao empreendimento tende a permanecer.

Uberlândia continua nos planos?

A RT-One afirma que o projeto segue em desenvolvimento.

Entretanto, um trecho do comunicado chamou atenção ao informar que a empresa avalia alternativas “em Uberlândia e em outras localidades”.

A informação não significa que o investimento deixará o município.

Também não representa qualquer confirmação de mudança de cidade.

Por outro lado, demonstra que, neste momento, a definição da localização definitiva do empreendimento ainda não está concluída.

Essa passa a ser uma das principais questões envolvendo o futuro do projeto.

Prefeitura já acompanhava o empreendimento

Desde o anúncio oficial, a Prefeitura de Uberlândia acompanhou o desenvolvimento do data center dentro das competências do Município.

Ao longo de 2025 e 2026, a administração municipal divulgou o andamento do projeto, informou sobre análises relacionadas ao zoneamento, uso do solo, disponibilidade de água e demais procedimentos administrativos necessários para a implantação do empreendimento.

Em resposta enviada ao Regionalzão nesta semana, a Prefeitura afirmou que questões relacionadas à composição societária e à evolução empresarial do projeto pertencem à esfera privada e não são de responsabilidade do Município analisar.

Próximos passos

Com a rescisão do contrato do terreno, o principal desafio da RT-One passa a ser definir uma nova área para implantação do empreendimento.

Até que isso ocorra, permanecem sem resposta perguntas fundamentais para investidores, poder público e população, como a manutenção do cronograma, a confirmação do volume de investimentos, o andamento dos licenciamentos e a localização definitiva do projeto.

A expectativa agora é que a empresa apresente um novo planejamento capaz de esclarecer o futuro daquele que foi anunciado como um dos maiores investimentos privados já previstos para Uberlândia.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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