Depois de 183 dias, a CPI do metanol foi encerrada sem confirmar qualquer caso de intoxicação em Uberlândia. Instalada em 9 de fevereiro, a comissão precisou de uma prorrogação de 60 dias para concluir os trabalhos.
O relatório final também não encontrou provas de comercialização ou distribuição sistemática de bebidas contaminadas com metanol no município.
A conclusão confirma o cenário que acompanhou a investigação desde sua abertura: não havia registro de contaminação na cidade.
CPI ocupou uma das três vagas durante seis meses
A comissão nasceu a partir de um requerimento apresentado pelo vereador Nei Borges (Solidariedade). O objetivo era investigar indícios de comercialização de bebidas adulteradas com metanol em Uberlândia.
Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente Antônio Augusto Queijinho (PSDB) e pelo relator Jair Ferraz (PP). Também integraram o grupo Conrado Augusto (MDB), Nei Borges e Ângela do Postinho (Solidariedade).
A CPI foi instalada com prazo inicial de 120 dias. Posteriormente, recebeu uma prorrogação de mais 60 dias e permaneceu ativa por pouco mais de seis meses.
Durante esse período, ocupou uma das três vagas regimentais disponíveis para o funcionamento simultâneo de CPIs na Câmara Municipal.
A limitação interferiu diretamente na fila de outras investigações. Comissões destinadas a apurar temas como os contratos da Saúde e o empreendimento do Data Center dependeram da abertura de uma vaga.
Em abril, quase três meses depois da instalação, a CPI do metanol ainda se preparava para realizar sua primeira reunião. O ritmo dos trabalhos já provocava questionamentos sobre a prioridade dada ao tema.
CPI não encontrou casos nem responsáveis
A comissão realizou diligências, audiência pública, oitivas e encaminhou pedidos de informações a órgãos públicos.
Foram ouvidos representantes das vigilâncias Sanitária e Epidemiológica, do Procon, das polícias Militar e Civil, do Ministério Público e das secretarias municipais de Saúde e de Serviços Urbanos.
Apesar do prazo utilizado e das medidas adotadas, a CPI não confirmou casos de intoxicação por metanol na rede municipal de saúde.
Também não encontrou elementos suficientes para comprovar a comercialização ou distribuição sistemática de bebidas contaminadas em Uberlândia.
O relatório não apontou responsabilidade individual de natureza administrativa, civil ou criminal relacionada ao objeto investigado.
Falhas na preparação da rede municipal
Embora não tenha encontrado casos, a CPI identificou fragilidades na preparação da rede municipal de saúde.
Segundo o relatório, a Secretaria Municipal de Saúde não realizou capacitação específica dos profissionais para reconhecer e atender possíveis casos de intoxicação por metanol.
A pasta também não elaborou protocolo ou fluxograma próprio para orientar o atendimento. A rede utiliza diretrizes nacionais ou estaduais, sem um documento municipal que considere características e particularidades de Uberlândia.
Na avaliação apresentada pela comissão, a soma desses dois fatores pode ter contribuído para uma eventual subnotificação.
A expressão exige uma ressalva: a CPI aponta uma possibilidade decorrente das falhas identificadas, mas não comprovou que casos efetivamente ocorreram e deixaram de ser registrados.
Resultado retoma questionamento feito pela coluna
A ausência de ocorrências locais já havia provocado questionamentos sobre a necessidade e a duração da investigação.
Em julho, a Coluna Poder publicou a análise “Afinal, por que ainda existe a CPI do metanol em Uberlândia?”.
Na ocasião, a comissão continuava ativa enquanto outras investigações, relacionadas a fatos concretos e documentados, aguardavam espaço ou enfrentavam entraves regimentais.
O presidente da Câmara, Zezinho Mendonça (PP), também havia defendido seriedade na apresentação de pedidos de CPI. Ele reconheceu que uma comissão pode ocupar espaço regimental e impedir temporariamente a instalação de outra.
Com a aprovação do relatório final, os trabalhos foram encerrados. O documento será encaminhado à Presidência da Câmara para as providências regimentais e posterior arquivamento.

