O governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), e o candidato ao Senado Marcelo Aro dividiram palanque nesta quarta-feira (30), em Barbacena. A aparição chama atenção pelo histórico recente entre os dois, marcado por rompimento político e uma sequência de ataques públicos.
O registro foi publicado nas redes sociais do próprio Simões. A agenda oficial do governador previa encontro com lideranças e caminhada em Barbacena nesta quarta-feira.
A presença conjunta, no entanto, não permite afirmar que houve uma reconciliação política. O episódio acrescenta mais um capítulo à relação entre dois antigos aliados que chegaram a declarar publicamente que estavam em lados diferentes na eleição.
De aliados a rompimento público
A ruptura ocorreu no fim de julho. Em 30 de julho, Aro comunicou a Simões que articulava uma candidatura própria ao Governo de Minas. Até então, o ex-secretário era tratado como nome para disputar o Senado dentro do grupo político ligado ao então governador Romeu Zema e a Simões.
A reação de Simões foi dura. O governador acusou o antigo aliado de traição e afirmou que Aro havia passado quatro anos “parasitando o governo de Minas” enquanto construía um projeto político próprio.
Simões também declarou estar decepcionado com Aro e lembrou da relação que os dois mantiveram antes do rompimento.
“Eu fui professor desse rapaz”, afirmou o governador na ocasião.
Aro respondeu e elevou o tom
A resposta veio poucos dias depois.
Em entrevista publicada em 6 de agosto, Marcelo Aro rebateu as acusações e chamou Simões de “mentiroso” e “chiliquento”. O candidato ao Senado também afirmou que teria sido traído pelo governador, invertendo a acusação feita pelo antigo aliado.
Naquele período, Aro também fez críticas ao perfil político de Simões e chegou a comparar o carisma do governador ao de uma geladeira.
O rompimento tinha reflexos diretos na montagem eleitoral. Aro havia manifestado resistência à presença de Carlos Viana (PSD) na composição para o Senado e, posteriormente, passou a apoiar a chapa de Cleitinho e Luís Eduardo Falcão para o Governo de Minas.
Simões chegou a descartar campanha conjunta
O reencontro desta quarta-feira ganha outro componente diante de uma declaração dada por Simões no início de agosto.
Depois que União Brasil e PP retornaram ao arco partidário de sua candidatura, o governador afirmou que não pretendia impedir a candidatura de Aro ao Senado, mas indicou que os dois não fariam campanha juntos.
“Não guardo rancor. Quem tem inimigo é país”, disse Simões na ocasião.
A distância pública, porém, começou a diminuir ainda em agosto.
Em evento de campanha em Ibirité, Aro elogiou Simões, classificando-o como trabalhador e honesto. Simões também elogiou o antigo secretário. Mesmo naquele momento, a equipe de Aro sustentou que os dois permaneciam politicamente em lados diferentes.
Outros eventos também passaram a colocar os antigos aliados nos mesmos ambientes durante a campanha.
Barbacena acrescenta novo capítulo
Agora, a cinco dias da eleição, Aro e Simões voltam a aparecer no mesmo palanque em Barbacena.
O episódio não comprova uma recomposição política entre os dois. Mas contrasta com o ambiente de julho e agosto, quando a relação passou rapidamente da aliança política para acusações públicas de traição, oportunismo e ataques pessoais.
A diferença desta vez é também a exposição do encontro: o registro apareceu nas próprias redes sociais de Mateus Simões durante uma agenda oficial de campanha.
Às vésperas da votação, portanto, o fato objetivo é que dois políticos que há dois meses protagonizaram um dos rompimentos mais ruidosos da campanha mineira voltaram a dividir o mesmo palanque.
