O salto de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto começou a provocar preocupação nas campanhas de seus adversários na disputa pela Presidência da República. O escritor avançou de forma expressiva em levantamentos divulgados nesta segunda-feira (31) e passou a ocupar a terceira colocação, atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O movimento atinge principalmente o espaço disputado pelos candidatos que tentam se apresentar como alternativa à polarização. Nos bastidores da campanha de Romeu Zema (Novo), o crescimento de Cury já provocou discussões sobre mudanças na estratégia. Ao mesmo tempo, os números também ligam um sinal de alerta para Flávio Bolsonaro, que perdeu quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior do AtlasIntel.
Segundo informações publicadas pelo O Fator, a campanha de Zema foi surpreendida pelos resultados e iniciou a semana tentando entender os motivos pelos quais o ex-governador mineiro não consegue avançar nas pesquisas.
Cury cresce em duas pesquisas
O avanço não apareceu em apenas um instituto.
Na pesquisa BTG/Nexus, Augusto Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto em uma semana, crescimento de nove pontos percentuais. Com isso, assumiu isoladamente a terceira posição.
Na AtlasIntel/Bloomberg, o movimento também foi expressivo. Cury passou de 1,6% para 7,8%, alta de 6,2 pontos percentuais. Os dois levantamentos, portanto, captaram uma mudança significativa na disputa pela terceira colocação.
O desempenho chama atenção especialmente porque ocorre ainda nas primeiras semanas da campanha eleitoral. A avaliação nos bastidores do Novo é de que mais importante do que o percentual atual é observar se a curva de crescimento do candidato do Avante continuará nos próximos levantamentos.
Zema discute mudança de estratégia
Até agora, a estratégia de Zema estava concentrada principalmente no eleitorado contrário ao presidente Lula e na disputa com outros candidatos desse campo, como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
O surgimento de Cury como um candidato competitivo alterou essa equação.
Segundo O Fator, integrantes da campanha avaliam que Zema precisa ampliar o diálogo principalmente com mulheres e jovens. Outra discussão interna envolve a necessidade de o candidato deixar de ser percebido apenas como mais um representante da direita e construir uma identidade própria na corrida presidencial.
Na BTG/Nexus, enquanto Cury chegou aos 11%, Zema aparece com apenas 1% no cenário sem Pablo Marçal. Ronaldo Caiado registra 5% e Renan Santos, 3%.
Crescimento também pressiona Flávio Bolsonaro
O fenômeno Cury também adiciona um novo elemento à estratégia de Flávio Bolsonaro.
Na campanha de Flávio, a preocupação é diferente da enfrentada por Zema. Enquanto o candidato do Novo tenta ganhar espaço para se tornar competitivo, Flávio precisa preservar a vantagem construída sobre os demais nomes e evitar que o crescimento de uma nova candidatura provoque maior fragmentação do eleitorado.
O sinal de alerta ganhou força principalmente com a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. Flávio Bolsonaro perdeu quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, justamente no intervalo em que Augusto Cury apresentou forte crescimento e chegou a 7,8% das intenções de voto.
A BTG/Nexus captou um movimento semelhante. Flávio passou de 37% para 33%, também uma queda de quatro pontos percentuais, enquanto Cury disparou de 2% para 11%.
Isso não significa, porém, que seja possível concluir que os eleitores que deixaram Flávio migraram diretamente para Augusto Cury. Os levantamentos mostram movimentos simultâneos, mas não permitem estabelecer essa transferência de votos.
Ainda assim, a combinação passa a ser observada pela campanha do PL: enquanto Flávio perde terreno, Cury deixa os percentuais residuais e começa a ganhar musculatura eleitoral. Se a tendência continuar nas próximas pesquisas, o candidato do Avante pode se tornar mais um fator relevante na estratégia da campanha.
Além disso, o fortalecimento de Cury aumenta a fragmentação da disputa e pode dificultar uma eventual tentativa de definição da eleição ainda no primeiro turno.
Exposição na TV e redes impulsionam Cury
O crescimento de Augusto Cury coincidiu com suas primeiras aparições de grande alcance na televisão durante a campanha.
O escritor participou do debate presidencial promovido pela Band e também da sabatina da TV Globo. As aparições ocorreram dentro ou próximas dos períodos de coleta das pesquisas divulgadas nesta segunda-feira.
Sem espaço relevante no horário eleitoral gratuito, Cury também registrou forte crescimento nas redes sociais. O candidato ganhou seguidores e apresentou aumento expressivo nas buscas por seu nome na internet durante a última semana.
Agora, o desafio das campanhas adversárias será identificar se o crescimento representa um movimento pontual provocado pela maior exposição do candidato ou se Cury conseguirá manter a trajetória nos próximos levantamentos.
A campanha do Avante, por sua vez, tenta aproveitar o momento. Nesta terça-feira (1º), Augusto Cury estará em Belo Horizonte para inaugurar a primeira “Casa Cury” do país.

