O encontro entre Gabriel Azevedo e Luís Eduardo Falcão ganhou novos contornos políticos após movimentos recentes que recolocam ambos no centro das articulações para 2026 em Minas Gerais.
Azevedo, lançado oficialmente como pré-candidato ao governo de Minas pelo MDB, vem ampliando sua rede de alianças e aprofundando o discurso municipalista que o projetou no estado. Já Falcão, prefeito de Patos de Minas, rompeu com o partido Novo após um desgaste direto com o governador Romeu Zema — desgaste esse que se intensificou durante a eleição da Associação Mineira de Municípios (AMM). Mesmo sem o apoio do Palácio Tiradentes, Falcão venceu a disputa e passou a simbolizar a resistência dos prefeitos ao modelo atual de relação entre Estado e municípios.

Histórico de Gabriel Azevedo
Gabriel Azevedo despontou na capital mineira com mandato vereador combativo, defensor de pautas de transparência e crítico de alianças tradicionais. Presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte com forte protagonismo, enfrentou rusgas internas e se posicionou como alternativa ao grupo político dominante no estado. Sua filiação ao MDB lhe abriu espaço em uma sigla estruturada, e, nos últimos meses, o ex-presidente Michel Temer tem sido um dos seus principais apoiadores.
Histórico de Luís Eduardo Falcão
Falcão, por sua vez, surgiu como uma das principais lideranças do interior. Com gestão bem avaliada em Patos de Minas, inicialmente era cotado para compor como vice de Matheus Simões em uma chapa apoiada por Zema. O plano naufragou após o governador não apoiá-lo na AMM — movimento interpretado como tentativa de contenção de sua projeção estadual. A vitória de Falcão na associação, mesmo sem Zema, elevou seu capital político. Atualmente está sem partido, mas nos últimos dias foi recebido por Michel Temer e estimulado a ingressar no MDB.
Uma eventual chapa “puro sangue” do MDB
Com Gabriel já confirmado como pré-candidato e Falcão orbitando o partido, surge a especulação sobre uma chapa inteiramente emedebista. A hipótese, que até pouco tempo parecia improvável, passou a fazer sentido diante da reorganização do tabuleiro:
– O PL se alinhou ao PSD.
– A esquerda busca uma coalizão própria e ainda tenta convencer Rodrigo Pacheco.
– O Republicanos está isolado.
– O PSDB, embora forte, vive um processo de reconstrução após perdas internas.
Nesse cenário, o MDB enxerga espaço para ocupar o centro político com dois nomes jovens, de boa avaliação e com discurso afinado. A dobradinha Gabriel–Falcão, além de simbolizar renovação, aposta na força conjunta da capital e do interior.
Municipalismo como eixo de campanha
Ambos sustentam o mesmo diagnóstico: prefeitos arcando com despesas que deveriam ser do Estado, estradas em situação crítica, ausência de regionalização em políticas essenciais e crescente pressão sobre municípios médios.
O discurso de Azevedo — “Minas precisa de um governador das cidades” — encontra eco direto em Falcão e reforça a tese de que a campanha em 2026 pode ser moldada pela insatisfação municipalista.
Caminho aberto, mas ainda em construção
A eventual união depende de conversas internas no MDB e de cálculos regionais. Ainda assim, os movimentos recentes indicam que a porta está aberta.
A foto no Café Nice, antes tratada como gesto simbólico, agora ganha ares de ensaio para uma chapa que pretende ocupar a terceira via mineira com mais solidez do que em ciclos anteriores.
O gesto marca a estreia pública de um movimento que, ao que tudo indica, não será isolado.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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