Uberlândia deu um passo importante na política de segurança pública. A cidade passou a operar um sistema de monitoramento inteligente que cruza imagens, dados e tecnologia em tempo real. O modelo lembra, em conceito, o que o público conhece do Big Brother Brasil — mas, fora da TV, o objetivo é bem claro: localizar suspeitos e tirar criminosos das ruas.
A parceria entre a Prefeitura de Uberlândia e as forças de segurança do Estado marca uma virada de chave. O projeto de reconhecimento facial, que ficou meses em fase de testes, agora entra em operação plena, com respaldo institucional e resultados concretos.
Durante a prova de conceito, iniciada em junho, 28 pessoas com mandado de prisão em aberto foram presas. O dado foi confirmado pelo coronel André, comandante da 9ª Região da Polícia Militar, em entrevista coletiva.
“Nós precisávamos testar protocolos, entender o fluxo da abordagem, da identificação até a prisão. Esse período mostrou que a tecnologia funciona e que Uberlândia está preparada para avançar”, afirmou o comandante.
Como funciona o ‘BBB’ da segurança
Diferente de um sistema fixo, o modelo implantado em Uberlândia é flexível. As câmeras podem ser realocadas conforme a estratégia policial. Não importa quantas estão ativas em um dado momento, mas sim a capacidade de deslocá-las para pontos críticos da cidade.
As imagens captadas são cruzadas com bases de dados da Justiça, permitindo identificar pessoas com mandados de prisão, indivíduos procurados ou envolvidos em investigações.
“O foco são pessoas que representam risco real à sociedade. Falamos de envolvidos em roubos, furtos, homicídios. Não é vigilância aleatória”, reforçou o coronel.
Prefeitura amplia estrutura
Além das câmeras já utilizadas no projeto piloto, a Prefeitura anunciou a instalação de 21 novos pontos com tecnologia inteligente, todos aptos a receber softwares de reconhecimento facial. O sistema é semelhante ao Smart Sampa, referência nacional em videomonitoramento.
A integração passa pela Secretaria Municipal de Segurança Integrada e conecta Polícia Militar, Polícia Civil e centrais de comando.
Segundo o secretário Fernando Reis, a lógica é clara:
“A tecnologia não substitui o trabalho humano, mas amplia a capacidade de antecipar riscos e agir com mais precisão”.
Olhos também nos Randandas
O cerco eletrônico não se limita ao reconhecimento facial. Uberlândia já opera um robusto sistema de leitura de placas, com mais de 140 câmeras, usado para identificar veículos furtados, clonados ou irregulares.
Esse mesmo aparato também entra na Operação Tolerância Zero, focada em motocicletas com escapamentos adulterados, manobras perigosas e desordem no trânsito.
“É ampliar nossos olhos. Às vezes não precisa de inteligência artificial, basta o operador identificar a infração e agir”, explicou o comandante.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
