A transição de governo em Uberlândia voltou ao centro do debate político. E não por acaso. Declarações recentes do prefeito Paulo Sérgio (PP) sobre a situação financeira herdada da gestão anterior geraram ruído, repercussão e reação imediata nos bastidores.
Em entrevista concedida ao Regionalzão na última semana, Paulo Sérgio afirmou que encontrou a Prefeitura com dívidas, mas ponderou que a situação é considerada natural em processos de transição administrativa. A fala ganhou força justamente por se tratar de um governo considerado de continuidade do ex-prefeito Odelmo Leão (PP), o que elevou o tom das críticas e das interpretações políticas.
O contraponto veio poucos dias depois. Durante participação no programa Política Cruzada, da TV Paranaíba, Odelmo afirmou que deixou a Prefeitura com superávit superior a R$ 300 milhões em caixa. “A Prefeitura foi entregue com dinheiro disponível, não com rombo”, disse o ex-prefeito.
Pedido de informações acirra o jogo
Diante das versões conflitantes, o vereador Ronaldo Tannus (PSDB) decidiu entrar em campo. Em vídeo encaminhado ao Regionalzão, o parlamentar revelou ter protocolado um pedido formal de informações à Prefeitura para esclarecer como, de fato, as contas foram entregues no período de transição.
Segundo Tannus, o requerimento foi direcionado ao secretário de Governo, Renato Rezende, e busca dados oficiais sobre caixa, dívidas e compromissos assumidos no fim da gestão passada.
“Desde o ano passado, nos corredores da Câmara, o que se falava era em mais de R$ 200 milhões em dívidas. Agora ouvimos que havia superávit de mais de R$ 300 milhões. A população precisa saber o que é verdade”, afirmou o vereador.
Ainda de acordo com ele, empresários e representantes do terceiro setor têm cobrado explicações. “Isso tem impacto direto na economia da cidade e na confiança de quem investe ou depende de parcerias com o poder público”, completou.
Bastidores: narrativa importa
Mais do que um debate contábil, o embate revela uma disputa de narrativa. Para Paulo Sérgio, reforçar dificuldades financeiras ajuda a justificar decisões duras do início do mandato. Para Odelmo, sustentar a imagem de equilíbrio fiscal preserva o legado político e protege aliados.
No meio do fogo cruzado, a gestão atual tenta ganhar tempo. O secretário de Governo prometeu entregar documentos oficiais ao vereador até esta quinta-feira (22). A expectativa agora é que os números tragam luz — ou ampliem ainda mais o embate.
Seja como for, a disputa já ultrapassou os bastidores e chegou às ruas. E, quando isso acontece, o desgaste político deixa de ser interno e passa a ter custo eleitoral. \
Agora, resta aguardar a divulgação do relatório oficial para esclarecer os números e indicar qual versão se sustenta nos documentos.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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