O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) reagiu publicamente às declarações do presidente estadual do partido, Domingos Sávio, que esfriaram o debate sobre a disputa pelo Senado em Minas Gerais. Em áudio enviado ao Regionalzão, Caporezzo negou ter qualquer projeto pessoal e afirmou que sua pré-candidatura surgiu a partir de um chamado direto da família Bolsonaro.
A manifestação ocorre após Domingos Sávio defender cautela na definição do nome do PL para o Senado e afirmar que decisões precipitadas podem comprometer alianças e o projeto nacional do partido para 2026.
“Não é projeto pessoal, é projeto de Brasil”
No áudio encaminhado à reportagem, Caporezzo foi enfático ao rebater a leitura de que sua movimentação teria motivações individuais. “Eu não tenho nenhum projeto pessoal para o Senado Federal”, afirmou.
Segundo o deputado, sua decisão não partiu de articulação própria, mas de incentivo direto do ex-presidente Jair Bolsonaro e de integrantes da família. “Quem levantou a minha bola e falou ‘esse aqui é o meu senador em Minas Gerais’ foi o presidente Jair Bolsonaro”, disse.
Caporezzo também citou manifestações públicas de apoio de Eduardo Bolsonaro, além de Carlos Bolsonaro e Renan Bolsonaro, como elementos que reforçam sua convicção de que representa o campo mais à direita na disputa pelo Senado em Minas.
Disputa interna segue aberta
A fala de Caporezzo adiciona um novo capítulo ao dilema interno do PL mineiro. De um lado, a direção estadual defende estratégia, alianças e pragmatismo eleitoral. Do outro, Caporezzo sustenta que a coerência ideológica e a confiança do bolsonarismo raiz devem pesar na escolha.
“Se eu coloco meu nome hoje para o Senado é porque a família Bolsonaro espera isso de mim”, afirmou o parlamentar, ao destacar que sua reeleição como deputado federal seria, em tese, mais simples do que uma disputa majoritária.
Entre ideologia e estratégia
Nos bastidores, a resposta de Caporezzo é vista como um movimento para consolidar espaço junto à base mais fiel da direita e evitar que o debate sobre viabilidade política neutralize sua pré-candidatura ainda na largada.
Ao mesmo tempo, a cúpula do PL mantém o discurso de que nenhuma definição será tomada antes da construção do palanque presidencial e da avaliação das alianças em Minas Gerais.
O embate, por ora, segue no campo das narrativas. Mas expõe com clareza a tensão entre ideologia e estratégia que atravessa o partido às vésperas de 2026.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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