O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) afirmou ao Regionalzão que a fala de Nikolas Ferreira sobre a suposta “viabilidade” de Domingos Sávio ao Senado carrega uma estratégia interna do PL — e não uma sinalização direta de Jair Bolsonaro.
Segundo Caporezzo, a leitura divulgada por Nikolas não corresponde ao que teria sido dito pelo ex-presidente e, na prática, cumpre outro papel dentro das articulações políticas do partido.
“O deputado Nikolas Ferreira não falou que o presidente Jair Bolsonaro tem uma preferência pelo nome do Domingos Sávio. Ele falou a respeito de viabilidade. Precisamos entender o que seria essa viabilidade”, afirmou.
Caporezzo sugere articulação com governo mineiro nas entrelinhas da fala de Nikolas
Para Caporezzo, a fala de Nikolas tem menos relação com o bolsonarismo e mais com a estratégia do PL para se aproximar do próximo governador de Minas, Mateus Simões (PSD).
“O nome mais viável hoje para fazer um acordo com Mateus Simões é o nome do presidente Domingos Sávio”, declarou.
A frase reposiciona Domingos Sávio como pivô de uma articulação institucional — e não como liderança ideológica. Ao explicitar esse movimento, Caporezzo indica que a fala de Nikolas teria o efeito de facilitar a aproximação do PL ao governo mineiro.
Pressão pública para que Nikolas e Domingos revelem o que ouviram de Bolsonaro
O deputado fez ainda uma cobrança direta aos colegas quanto à vontade declarada de Jair Bolsonaro por uma chapa pura do PL em Minas Gerais:
“Quando que o deputado Nikolas vai falar isso? Quando que o deputado Domingos Sávio vai falar isso?”
Caporezzo sustenta que Bolsonaro teria dito algo bem diferente ao próprio Domingos:
“O presidente Bolsonaro falou para o deputado Domingos que ele não tem interesse em composição com o governo de Minas e que sua prioridade é o Senado”.
A versão, no entanto, não foi confirmada nem por Nikolas nem por Domingos Sávio.
Caporezzo reforça discurso ideológico e se coloca como contraponto
Em meio à disputa, o deputado se apresenta como representante da ala mais ideológica do PL:
“Eu não estou nessa por poder. Eu penso em alinhamento de valores. Quem vai defender mais a família do que eu? Quem vai defender mais a vida do que eu? Quem vai lutar mais contra o ativismo judicial do que eu?”
E afirma que apenas Bolsonaro poderia fazê-lo desistir da pré-candidatura:
“Somente o presidente Jair Bolsonaro tem a capacidade de me fazer recuar”.
Racha no PL: cada visita a Bolsonaro gera um “ungido” diferente
A entrevista expõe um fenômeno que tem marcado a disputa interna: cada político que visita Bolsonaro sai afirmando ser o nome considerado pelo ex-presidente para o Senado. Isso já ocorreu com Caporezzo, Domingos Sávio e Maurício do Vôlei.
O efeito tem criado versões conflitantes e elevado a disputa por legitimidade dentro do partido, embora Caporezzo siga sendo o único com apoio declarado dos filhos do ex-presidente.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.
