A entrega dos primeiros cheques do programa Cheque Moradia, iniciada nesta semana pela Prefeitura de Uberlândia, marca mais do que o lançamento de uma política pública. O movimento consolida o programa como a principal vitrine social do governo do prefeito Paulo Sérgio, que passa a usar a política habitacional como eixo central do discurso de gestão.
O prefeito anunciou a meta de entregar, no mínimo, 10 mil cheques de R$ 10 mil para famílias que precisam de apoio na compra da casa própria. Em tom confiante, chegou a projetar a construção de até 20 mil moradias ao longo do mandato.
“Nós não poderíamos finalizar o ano sem entregar os primeiros cheques moradia. Isso estava no nosso programa de governo e nós vamos cumprir tudo o que foi prometido”, afirmou.
Habitação como marca política
Desde o início do mandato, Paulo Sérgio tem buscado associar sua imagem a entregas concretas, especialmente em áreas sensíveis. O Cheque Moradia entra nesse contexto como uma política de impacto direto, facilmente comunicável e com forte apelo social.
O discurso do prefeito deixa claro que o programa não é tratado como ação pontual, mas como política estruturante. Ao destacar que Uberlândia é a primeira cidade de médio e grande porte do país a implantar o modelo, Paulo Sérgio tenta carimbar a iniciativa como símbolo de inovação administrativa.
“É o primeiro passo. O ano que vem vai ter muito mais”, disse durante o evento.
Aliança com a Câmara e recado aos deputados
Outro ponto explorado politicamente foi a parceria com a Câmara Municipal. O prefeito fez questão de dividir os créditos com os vereadores, reforçando a narrativa de harmonia institucional.
“Esse projeto é fruto do Executivo, mas também da parceria com a Câmara, que votou todos os projetos de interesse da cidade”, destacou.
Paulo Sérgio também deixou uma janela aberta para a bancada estadual e federal. O convite para que deputados destinem emendas específicas ao Cheque Moradia não foi casual. A estratégia amplia o alcance do programa e transfere parte do protagonismo — e da responsabilidade — para outros atores políticos.
Pragmatismo no lugar da ideologia
Ao explicar a criação do programa, o prefeito fez críticas diretas à dificuldade do governo federal em viabilizar moradias para a faixa de renda mais baixa. Em vez de esperar recursos externos, optou por usar o Fundo Municipal de Habitação e linhas de financiamento como o Finisa.
O modelo adotado também aposta no pragmatismo: auxílio direto para a entrada do imóvel, redução do tamanho dos lotes, corte de impostos como ITBI e ISS da construção e agilização dos processos de aprovação de projetos.
“Não é só governo de esquerda que faz política social. Nós temos obrigação de oferecer dignidade”, afirmou, em um dos trechos mais políticos do discurso.
Controle urbano e prevenção de conflitos
A política habitacional também aparece como resposta às ocupações irregulares. Ao reconhecer que a falta de moradia popular contribui para invasões, o prefeito sinalizou que o Cheque Moradia faz parte de uma estratégia mais ampla de controle urbano.
Paulo Sérgio reafirmou compromissos com regularização fundiária e infraestrutura em áreas já ocupadas, dando continuidade a projetos iniciados em gestões anteriores.
Se vai alcançar todas as metas anunciadas, o tempo dirá. Mas, do ponto de vista político, a estratégia está clara: habitação no centro do governo e no centro do debate público em Uberlândia.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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