Se Cleitinho vencer em Minas, PL ganha mais uma cadeira no Senado

Primeiro suplente do candidato ao Governo de Minas é Alex Diniz, hoje filiado ao PL; empresário pode assumir mandato até 2031 sem receber voto nominal

Adelino Júnior
Cleitinho Azevedo e Alex Diniz posam lado a lado e apertam as mãos.
Cleitinho Azevedo e Alex Diniz.Divulgação

Uma eventual vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o Governo de Minas Gerais produzirá um efeito direto em Brasília: o PL ganhará mais uma cadeira no Senado Federal.

O primeiro suplente de Cleitinho é o empresário Alex Diniz, atualmente filiado ao PL. Caso o senador deixe definitivamente o mandato para assumir o Palácio Tiradentes, Diniz será chamado para ocupar a cadeira mineira no Senado.

O movimento chama atenção diante da estratégia nacional do PL para ampliar sua representação na Casa. Em 2026, o partido lançou 33 candidatos ao Senado e trabalha com o objetivo declarado de conquistar 20 das 54 vagas em disputa.

Em Minas, porém, existe uma possibilidade adicional para o partido: ganhar uma cadeira que nem sequer está sendo disputada nesta eleição.

A cadeira de Cleitinho vai até 2031

Cleitinho foi eleito senador por Minas Gerais em 2022, quando estava no PSC. Ele recebeu 4.026.409 votos, segundo dados divulgados pelo Senado Federal.

Naquela eleição, Alex Diniz, também então no PSC, integrou a chapa como primeiro suplente. Wander de Sousa foi registrado como segundo suplente.

O mandato conquistado pela chapa começou em 2023 e termina apenas em 2031. Portanto, a cadeira de Cleitinho não está entre as duas vagas mineiras para o Senado colocadas em disputa nas urnas em 2026.

Caso não seja eleito governador, Cleitinho ainda tem mandato no Senado. Se vencer a eleição e deixar definitivamente a Casa para assumir o Governo de Minas, abre-se espaço para a convocação de seu primeiro suplente.

E a configuração partidária mudou desde 2022.

Cleitinho hoje está no Republicanos. Alex Diniz se filiou ao PL em 2025.

PL pode ganhar cadeira além das vagas disputadas

A mudança partidária do suplente cria uma situação peculiar para o PL em Minas.

O partido participa da disputa pelas cadeiras abertas para o Senado em 2026 e colocou a eleição de senadores entre suas prioridades nacionais. Em Minas, Domingos Sávio está entre os candidatos da legenda à Casa.

Levantamento publicado pelo UOL nesta quinta-feira (1º) mostra que o PL possui 33 candidatos ao Senado pelo país e estabeleceu como objetivo conquistar 20 das 54 vagas em disputa.

Domingos Sávio recebeu R$ 5,4 milhões do fundo eleitoral e aparece entre as campanhas ao Senado que receberam os maiores repasses do PL.

A eventual chegada de Alex Diniz ao Senado ocorreria por outro caminho.

Ele não disputa uma das duas vagas abertas em Minas. Sua condição decorre da eleição de 2022, quando integrou como primeiro suplente a chapa de Cleitinho.

Assim, dependendo do resultado da eleição para governador, o PL poderá aumentar sua bancada sem que a cadeira atualmente ocupada por Cleitinho esteja diretamente em disputa nas urnas neste ano.

Alex Diniz pode assumir sem receber voto nominal

Há outra característica do sistema eleitoral que ajuda a explicar esse movimento.

Alex Diniz poderá assumir o Senado sem ter recebido voto nominal para o cargo.

Isso acontece porque, nas eleições para senador, o eleitor escolhe o candidato titular. Cada candidatura ao Senado é registrada com dois suplentes, que integram a chapa e podem substituir o titular nas hipóteses previstas.

Em 2022, os mais de 4 milhões de votos registrados foram atribuídos à candidatura de Cleitinho. Alex Diniz constava oficialmente como primeiro suplente.

Caso seja chamado a assumir definitivamente a cadeira, portanto, Diniz chegará ao Senado por sua condição de suplente daquela chapa, e não por uma votação nominal própria.

Minas já viveu situação semelhante com Wellington Salgado

O cenário não é novidade em Minas Gerais e tem um precedente diretamente ligado a Uberlândia.

O empresário Wellington Salgado também chegou ao Senado como primeiro suplente.

Ele integrou a chapa de Hélio Costa (PMDB), eleito senador por Minas Gerais em 2002. Wellington não recebeu votação nominal para senador, mas estava registrado como primeiro suplente da candidatura vencedora.

Em julho de 2005, Hélio Costa deixou temporariamente o mandato para assumir o Ministério das Comunicações no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Wellington Salgado assumiu a cadeira em 11 de julho daquele ano.

O próprio Senado o identificava naquele momento como empresário da área de educação superior e presidente da mantenedora do Centro Universitário do Triângulo (Unitri), em Uberlândia.

O mecanismo que poderá levar Alex Diniz ao Senado é o mesmo: a suplência.

A diferença está na razão da eventual substituição. Wellington assumiu após Hélio Costa se licenciar para comandar um ministério. Diniz poderá assumir caso Cleitinho seja eleito governador e deixe definitivamente o Senado.

Quem é Alex Diniz

Alex Sandro Coelho Diniz é empresário de Governador Valadares e integra a família ligada à rede de supermercados Coelho Diniz.

Sua condição de primeiro suplente de Cleitinho está registrada oficialmente pelo Senado Federal.

Politicamente, porém, os caminhos dos dois mudaram desde a eleição.

Cleitinho deixou o PSC e ingressou no Republicanos. Diniz também passou pelo Republicanos, ficou sem partido e, em novembro de 2025, filiou-se ao PL.

A mudança aproximou o empresário das articulações do partido em Minas. Em maio deste ano, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a citar publicamente Diniz como um nome possível para uma candidatura majoritária no estado.

Agora, mesmo sem disputar o Senado em 2026, o empresário poderá chegar à Casa dependendo do resultado de outra eleição: a do Governo de Minas.

Senado está no centro da estratégia do PL

A possibilidade ocorre em um momento no qual o Senado ocupa espaço relevante na estratégia eleitoral nacional do PL.

A legenda lançou candidatos em 25 estados e no Distrito Federal e estabeleceu a meta de conquistar 20 das 54 cadeiras em disputa em 2026.

Atualmente, o PL possui 15 senadores, sendo que nove têm mandato assegurado até 2031.

A ampliação da bancada é tratada pelo partido dentro de sua estratégia política nacional, inclusive diante das competências constitucionais exclusivas do Senado.

Em Minas, a matemática possui uma variável adicional.

Duas cadeiras serão decididas diretamente pelo eleitor mineiro neste ano. A terceira, ocupada por Cleitinho, tem mandato até 2031.

Mas o resultado da eleição para governador pode mudar quem ocupa essa terceira vaga — e também qual partido passa a contabilizá-la em sua bancada.

Se Cleitinho vencer a disputa pelo Palácio Tiradentes e deixar o Senado, Alex Diniz será chamado como primeiro suplente. Com isso, uma cadeira atualmente ocupada por um senador do Republicanos passará a ser exercida por um filiado ao PL.

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