Como o rodízio secreto de assessores loteia a Câmara de Uberlândia

Prática de contratar cabos eleitorais por curtos períodos gera ociosidade nos bastidores e provoca vazamento de informações

Adelino Júnior
Fotografia da fachada externa do prédio da Câmara Municipal de Uberlândia, com estrutura de concreto, brises azuis nas janelas e letreiro azul sob céu nublado, ilustrando a matéria sobre o rodízio de assessores na Casa.
Fachada da Câmara Municipal de Uberlândia.Foto: Aline Rezende

O loteamento de cargos comissionados nos bastidores do Legislativo ganhou contornos de rodízio programado. A prática visa quitar promessas de campanha de forma temporária.

Em Uberlândia, os bastidores políticos revelam que pelo menos dois parlamentares já adotam essa prática com frequência. O modelo opera de forma sistemática nos gabinetes.

O sistema funciona como um verdadeiro balcão de compromissos. O parlamentar contrata o apoiador já com prazo determinado para a sua futura demissão.

Geralmente, o período estabelecido para cada funcionário comissionado gira em torno de apenas três meses. É o tempo suficiente para honrar o acordo político firmado na eleição.

Vencido o prazo combinado, o colaborador é desligado para dar lugar a outro aliado de campanha. O objetivo principal é contemplar o maior número possível de cabos eleitorais.

No entanto, a eficiência do trabalho legislativo fica em segundo plano. Relatos de bastidores apontam que esses assessores temporários pouco produzem no dia a dia.

Muitos passam o expediente ociosos nos corredores da Câmara Municipal. Sem funções técnicas definidas, eles apenas aguardam o fim do período de contratação temporária.

O problema central desse arranjo político começa a surgir no momento da demissão. O hábito de receber salários sem contrapartida efetiva costuma criar um ciclo de dependência.

Inconformados com a perda da rotina facilitada, alguns ex-assessores decidiram quebrar o silêncio. Detalhes desse esquema de rodízio começam a vazar nos bastidores da cidade.

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