Conselho de Ética de MG abre processo contra Felipe Attiê

Presidente da Funed e ex-vereador de Uberlândia enfrenta investigação interna no governo de Minas

Adelino Júnior
Felipe Attiê fala ao microfone durante reunião oficial. Ex-vereador de Uberlândia e atual presidente da Funed aparece usando óculos e blazer escuro.
Felipe Attiê, presidente da Funed e ex-vereador de Uberlândia, é alvo de processo aberto pelo Conselho de Ética Pública do governo de Minas Gerais.Foto: Guilherme Bergamini

O Conselho de Ética Pública (Conset) do governo de Minas Gerais instaurou um processo para investigar possível irregularidade envolvendo o presidente da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Felipe Attiê. A abertura do procedimento ocorreu no último sábado (17) e, segundo informações divulgadas inicialmente pelo portal O Fator, o caso não envolve contratos, licitações ou despesas da fundação.

Nos bastidores políticos, porém, o episódio ganhou repercussão por envolver um nome histórico da política de Uberlândia, com décadas de atuação no cenário regional e estadual.

Felipe Attiê foi vereador por cinco mandatos na Câmara Municipal de Uberlândia. Também ocupou a vice-presidência da Casa em 1997, presidiu comissões importantes e chegou a assumir a Secretaria Municipal de Habitação entre 2009 e 2012.

Antes disso, ainda atuou como assessor e chefe de gabinete na Prefeitura de Uberlândia. Já em nível estadual, foi deputado estadual entre 2015 e 2019.

Caso não envolve contratos da Funed

Segundo as informações divulgadas até o momento, a denúncia investigada pelo Conselho de Ética estaria relacionada a um episódio ocorrido em 2021, quando Attiê ocupava o cargo de subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo mineiro.

A apuração estaria ligada a questões envolvendo relações pessoais e avaliações funcionais internas, sem relação direta com contratos públicos ou movimentações financeiras da Funed.

Em nota, Felipe Attiê afirmou que o caso já teria sido analisado anteriormente por órgãos como Ouvidoria-Geral do Estado, Ministério Público e Controladoria-Geral do Estado, com arquivamentos nas instâncias citadas.

“Felipe Attiê informa que irá aguardar a notificação para proceder com sua defesa, com a consciência tranquila, já que não há nada de errado de sua parte”, diz trecho da manifestação.

O ex-deputado também afirmou que teria tomado conhecimento formal do tema apenas no fim de 2025, quando foi chamado para prestar esclarecimentos ao Conselho de Ética Pública.

Nome tradicional da política de Uberlândia

O episódio também recoloca Felipe Attiê no centro do debate político regional. Além da longa trajetória eleitoral, ele possui ligação familiar com nomes históricos da política mineira.

Attiê é neto do ex-prefeito de Uberlândia, José Fonseca e Silva, que governou o município entre 1946 e 1950. Também é genro do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Homero Santos.

Nos últimos anos, Felipe Attiê se aproximou politicamente do grupo do governador Romeu Zema, após passagem pelo PTB e aproximação com setores ligados ao Novo.

A abertura do procedimento pelo Conset, mesmo ainda em fase inicial e sob sigilo, gera desgaste institucional justamente por atingir um integrante da alta administração estadual e uma figura conhecida da política uberlandense.

Conselho de Ética Pública já advertiu secretário de Zema

O Conset é responsável por analisar condutas éticas dentro da alta administração do Executivo estadual. O órgão possui caráter consultivo e deliberativo, sendo responsável por orientar e apurar possíveis conflitos de interesse e violações éticas.

Em 2025, o colegiado aplicou advertência ao secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, após entendimento de que houve irregularidade na oferta gratuita de um curso para policiais penais.

Agora, o caso envolvendo Felipe Attiê passa a integrar mais um episódio de desgaste institucional dentro da estrutura do governo estadual em um ano já marcado pela antecipação das articulações políticas para 2026.

Nota a impresa de Felipe

É importante esclarecer que o caso diz respeito a uma reclamação apresentada sobre uma avaliação de desempenho de 2021 por uma servidora da então Subsecretaria de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede), período em que Felipe Attiê exercia o cargo de subsecretário.

Na ocasião, o sistema utilizado para a realização on-line das avaliações apresentou falhas no envio dos dados, exigindo que a avaliação fosse transcrita manualmente do computador, com a presença de testemunhas, e assinada por Attiê. Posteriormente, após o restabelecimento do sistema, cerca de meses depois, surgiu uma nova avaliação digital com conteúdo não positivo que não correspondia ao desempenho apresentado pela servidora. No entanto, tal avaliação não foi realizada por Felipe Attiê e, sim, talvez, por algum desafeto da servidora. Entretanto, não é possível saber com certeza o responsável, pois já se passaram alguns anos.

O atual presidente da Funed ressalta ainda que, na época, a denúncia foi analisada, e o mesmo respondeu anteriormente às informações solicitadas pela Ouvidoria-Geral do Estado, pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pelo Ministério Público de Minas Gerais, órgãos que promoveram vários questionamentos ao subsecretário no sentido de esclarecer o ocorrido, arquivando posteriormente o caso.

Entretanto, a mesma denúncia, originalmente apresentada em 2022, voltou a tramitar no Conselho de Ética Pública (Conset) do Estado de Minas Gerais, sendo que Felipe Attiê foi convocado a falar no conselho pela primeira vez em dezembro de 2025. Na ocasião, tomou conhecimento pela primeira vez do que se tratava. Agora, novamente, foi surpreendido, pois sequer havia sido notificado da decisão do referido conselho de abrir um processo de apuração, conforme decisão do dia 17 de maio de 2026. Felipe Attiê informa que irá aguardar a notificação para proceder com sua defesa, com a consciência tranquila, já que não há nada de errado de sua parte.

Por fim, Felipe Attiê reforça sua confiança na condução técnica e imparcial do processo, aguardando a devida análise dos fatos pelas autoridades competentes, depois de todos estes anos.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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