A Prefeitura de Uberlândia exonerou Ana Claudia Alvarenga Melo Baron do cargo de Corregedora-Geral do Município. A decisão foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (17), após a conclusão da apuração administrativa envolvendo um áudio atribuído à servidora.
Ana Claudia recebeu punição de 30 dias de suspensão após a sindicância apurar uso inadequado da posição hierárquica. O episódio veio a público em abril deste ano, quando áudios atribuídos à então corregedora provocaram questionamentos sobre a condução de processos administrativos dentro da Prefeitura.
O decreto publicado agora determina a exoneração de Ana Claudia do cargo em comissão de Corregedor-Geral, com efeitos a partir de 17 de agosto. Ela, no entanto, também ocupa o cargo efetivo de Oficial Administrativo no Município.
Paulo Henrique Domingues assume Corregedoria
No mesmo Diário Oficial, o prefeito Paulo Sérgio Ferreira nomeou Paulo Henrique Soares Silva Domingues para responder pela Corregedoria-Geral.
Domingues ocupa o cargo em comissão de Assessor Técnico DAM-18, no Gabinete do Secretário. Ele passará a responder cumulativamente e sem remuneração adicional pela função de Corregedor-Geral.
A exoneração e a nomeação foram assinadas pelo prefeito Paulo Sérgio Ferreira e pela secretária municipal de Administração, Marly Vieira da Silva Melazo.
Caso começou com vazamento de áudios
O caso ganhou repercussão pública em abril, após a circulação de áudios atribuídos a Ana Claudia. O material levantava suspeitas sobre possível interferência na tramitação e no resultado de processos administrativos disciplinares.
Como o Regionalzão mostrou à época, uma denúncia anônima já havia sido protocolada no Ministério Público de Minas Gerais em 27 de março. Posteriormente, o vereador Adriano Zago (Avante) levou o assunto ao plenário da Câmara Municipal, ampliando a repercussão política do episódio.
Entre os conteúdos divulgados estavam conversas atribuídas à corregedora que mencionavam postergação de processos, decisões que poderiam ser previamente definidas e tratamento diferenciado a servidores investigados. Na ocasião, ainda não havia conclusão oficial sobre a autenticidade e o contexto das gravações.
O vereador Fabão (PV) também apresentou requerimento pedindo o afastamento cautelar da corregedora. O pedido foi aprovado em regime de urgência pela Câmara, mas o afastamento posteriormente adotado partiu do próprio Executivo.
Prefeitura havia afastado corregedora e aberto sindicância
Em 17 de abril, a Secretaria Municipal de Administração instaurou a Sindicância Administrativa por meio da Portaria SMA nº 238/2026.
O procedimento tinha como objetivo apurar os fatos e os áudios divulgados nas redes sociais, além de outros elementos que eventualmente surgissem durante os trabalhos.
Naquele momento, a Prefeitura também acolheu recomendação da comissão sindicante e determinou o afastamento preliminar de Ana Claudia. Segundo o Município, a medida buscava evitar interferências na investigação e preservar a instrução do processo.
Com a conclusão da apuração administrativa, Ana Claudia recebeu suspensão de 30 dias. Agora, quatro meses depois da abertura da sindicância, ela também deixa o comando da Corregedoria-Geral.
A exoneração publicada nesta segunda-feira refere-se especificamente ao cargo em comissão de Corregedora-Geral. O decreto registra que Ana Claudia é servidora efetiva do Município no cargo de Oficial Administrativo.

