A CPI da Saúde em Uberlândia ainda nem foi oficialmente arquivada, mas já produziu um novo movimento político dentro da Câmara Municipal. Antes mesmo da decisão final sobre o pedido atualmente em tramitação, vereadores articularam um novo requerimento para investigar suspeitas de irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde, reacendendo bastidores e expondo uma disputa que vai além do aspecto técnico.
O novo pedido foi protocolado na sexta-feira (6) pelo vereador Prof. Conrado Augusto (MDB) e tem como foco a apuração de um suposto desvio de R$ 6,5 milhões no programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Desta vez, o requerimento apresenta objeto curto, delimitado e construído após consulta prévia positiva junto à Procuradoria da Câmara.
Quatro tentativas e um mesmo tema
O tema não é novo no Legislativo. Os dois primeiros pedidos de CPI sobre a Saúde foram apresentados pelo vereador Adriano Zago, mas não alcançaram o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento. Apenas seis vereadores subscreveram os requerimentos, o que inviabilizou a instalação.
Na terceira tentativa, o cenário mudou. Com a assinatura da vereadora Janaína Guimarães como nona subscrição, a CPI chegou a ser instalada. No entanto, o entendimento jurídico apontou que o objeto da comissão era amplo demais, sem delimitação clara do fato determinado. A tendência é que essa CPI seja arquivada na próxima reunião.
“O problema não foi político, foi técnico. O objeto estava muito aberto”, resumiu à Coluna Poder uma fonte com trânsito na Mesa Diretora.
Objeto enxuto e blindagem jurídica
O quarto pedido nasce justamente para corrigir essa falha. O novo requerimento restringe a investigação aos fatos relacionados ao TFD, com base na Tomada de Contas Especial da Secretaria Municipal de Saúde e em portaria específica que trata do programa.
Além disso, o texto cita de forma expressa o valor estimado do suposto prejuízo aos cofres públicos e delimita o período e os atos a serem apurados, afastando o principal argumento jurídico que levou à contestação da CPI anterior.
“Foi um pedido construído já com a Procuradoria, para não dar margem a questionamento formal”, afirmou o vereador Prof. Conrado Augusto.
O peso das nove assinaturas
Mesmo travado, o novo pedido deixou um recado importante. Em menos de seis horas, o requerimento reuniu nove assinaturas — número considerado estratégico dentro da Câmara.
Assinam o pedido:
- Prof. Conrado Augusto
- Abatênio Marquez
- Janaína Guimarães
- Prof. Ronaldo Ferreira
- Amanda Gondim
- Adriano Zago
- Dr. Igino
- Fabão
- Gláucia da Saúde
A composição chama atenção por reunir vereadores da oposição, independentes e também teoricamente da base do governo, indicando que o movimento extrapola alinhamentos tradicionais.
Entre as assinaturas, a presença da vereadora Gláucia da Saúde é considerada sensível nos bastidores, por se tratar de um nome diretamente associado às políticas públicas da área.
“Para o bom entendedor da política, nove assinaturas são chave para muita coisa”, avaliou Conrado.
Mais do que viabilizar uma CPI, esse número funciona como termômetro de força e sinaliza que o tema não está encerrado.
Bastidores em ebulição
A CPI da Saúde pode até não sair do papel neste momento, mas o movimento já produziu efeitos. Houve exposição pública, desconforto interno e uma mudança clara no clima político dentro da Câmara.
E, em Uberlândia, quando a política começa a se mover antes mesmo do fato formal, dificilmente é por acaso.

Esse conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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