
A Polícia Federal localizou no celular de Jair Bolsonaro quatro listas de transmissão no WhatsApp — “Deputados”, “Senadores”, “Outros” e “Outros 2” — reunindo quase 400 contatos. O material embasou nova acusação por obstrução de investigação e apontou disparos em massa no dia 3 de agosto.
“As listas permitem enviar a mesma mensagem para vários destinatários de forma individual, com respostas privadas ao remetente”, registra o relatório.
No Triângulo Mineiro, o destaque é o ex-prefeito Odelmo Leão, salvo como “Pref Odelmo Leão Uberlândia”. A presença dele, ao lado do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) — identificado na lista de “Deputados” — mostra o canal direto do bolsonarismo com lideranças do Triângulo.
Por que Odelmo aparece na lista
Odelmo é um ator tradicional da política regional e mantém trânsito com segmentos do agronegócio e da direita local. Estar na lista indica linha direta com a estratégia digital de Bolsonaro, especialmente em datas de mobilização. Para o PL e aliados.
Quem mais recebia mensagens
Abaixo, recortes representativos dos nomes exibidos nos documentos e imagens analisados pela PF — com políticos, celebridades, lideranças religiosas, militares e empresários:
- Prefeitos e gestores: Ricardo Nunes (SP), Netinho (Duque de Caxias), Odelmo Leão (Uberlândia), Yglésio (São Luís).
- Deputados (amostra): Bia Kicis (DF), André Fernandes (CE), Gustavo Gayer (GO), João Roma (BA), Domingos Sávio (MG), Eros Biondini (MG), Cristiano Caporezzo (MG), Bruno Engler (MG).
- Senadores (amostra): Damares (DF), Rogério Marinho (RN), Marcos Pontes (SP), Flávio Bolsonaro (RJ).
- Celebridades e esportistas: Amado Batista, Felipe Melo, Nelson Piquet, Renzo Gracie, Shogun.
- Líderes religiosos: Silas Malafaia, Ap. Cesar Augusto, Bispo Abner Ferreira, Padre Kelmon.
- Ex-ministros e quadros de governo: Paulo Guedes, Onyx Lorenzoni, Pedro Guimarães (ex-CEF), Marcos Pontes.
- Militares e forças de segurança (amostra): generais, coronéis e delegados listados como Cel Camarinha, Cel Ronaldo 79, Gen Ramos, Cel PM SP Mello Araújo, PRF Aggio.
Triângulo Mineiro no circuito de Bolsonaro
A inserção de Odelmo Leão e de Caporezzo coloca o Triângulo no radar das articulações digitais do PL. Em ano de disputas municipais e rearranjos para 2026, essa ponte ajuda a entender como a direita mineira se movimenta entre agendas locais em Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba e Araguari.
Ficam as perguntas: Odelmo foi acionado para mobilizações regionais? As mensagens geraram ações coordenadas em cidades-polo do Triângulo? Qual o impacto desse canal direto nas alianças para 2026?
Nos bastidores, dirigentes do PL relatam que a rede de transmissão funcionava como “atalho” para manter o núcleo político aquecido, contornar limitações e testar narrativas com aliados.
Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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