A liminar concedida pela Justiça de Minas Gerais recolocou no centro do debate político de Uberlândia um tema sensível: os limites entre a fiscalização parlamentar e a resistência administrativa dentro da rede municipal de saúde.
O vereador Prof. Conrado Augusto retornou ao Hospital Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro amparado por decisão judicial que garantiu o direito de realizar registros fotográficos e audiovisuais das salas de descanso destinadas aos profissionais de saúde. O objetivo, segundo o parlamentar, é documentar a precariedade denunciada por trabalhadores da enfermagem.
A decisão foi proferida após o vereador ingressar com mandado de segurança contra atos atribuídos ao secretário municipal de Saúde, que havia proibido qualquer tipo de captação de imagens no interior das unidades, sob a justificativa de proteção à privacidade e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“A fiscalização não trata de pacientes ou prontuários, mas de infraestrutura e condições de trabalho mantidas com recursos públicos”, argumentou o parlamentar ao justificar a ação.
Justiça delimita, mas autoriza
Na análise preliminar, a magistrada destacou que o poder-dever de fiscalização do Legislativo municipal não pode ser esvaziado por proibições genéricas da administração. Para o Judiciário, a LGPD não pode ser usada como escudo para impedir a transparência sobre mobiliário, climatização e conservação de espaços de descanso dos servidores.
A liminar, no entanto, impõe limites claros: estão vedadas imagens que identifiquem pacientes, prontuários ou situações que violem o sigilo médico. O foco deve ser exclusivamente a infraestrutura.
Nos bastidores, a leitura é de que a decisão cria um precedente relevante. Ao mesmo tempo em que preserva direitos individuais, reforça a prerrogativa fiscalizatória dos vereadores — especialmente em áreas sensíveis como a saúde.
Conflito institucional exposto
Antes da liminar, o episódio já havia escalado. Durante tentativa anterior de fiscalização, Conrado Augusto chegou a acionar a Polícia Militar após ser impedido de registrar imagens, com boletim de ocorrência lavrado por suposto impedimento do exercício da atividade parlamentar.
A assessoria do vereador afirma que situações semelhantes já ocorreram.
O caso também dialoga com denúncias já divulgadas pela imprensa, incluindo reportagem do G1, que mostrou profissionais relatando más condições nas salas de descanso do hospital.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro.
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