Veja na íntegra denúncia que pede cassação de Maciel Amorim em Uberlândia

Documento de 26 páginas apresenta três núcleos de acusações, pede preservação de provas e diligências; vereador afirma que ainda não foi formalmente comunicado

Adelino Júnior
Vereador Dr. Maciel Amorim discursa na tribuna da Câmara de Uberlândia
Dr. Maciel Amorim na tribuna da Câmara Municipal de Uberlândia.Aline Rezende/CMU

A Câmara Municipal de Uberlândia registrou nesta quarta-feira (30) a Denúncia nº 8/2026, que pede a cassação do mandato do vereador Dr. Maciel Amorim. O Regionalzão teve acesso à íntegra das 26 páginas do documento, que detalha as acusações apresentadas pelo denunciante e relaciona as providências que ele pretende ver adotadas pelo Legislativo.

A denúncia é de iniciativa popular e foi apresentada por Hudson Roberto de Andrade, representado pelo advogado Kelton Campos Leal. O documento foi assinado em 16 de setembro e aparece no sistema da Câmara com data de entrada em 30 de setembro.

As acusações descritas na peça são alegações do denunciante e não significam que as condutas atribuídas ao vereador ou a integrantes de seu gabinete estejam comprovadas.

Procurado anteriormente pelo Regionalzão, Maciel informou que ainda não havia sido formalmente comunicado sobre qualquer pedido de cassação e, por isso, não entrou no mérito das acusações.

O que diz a denúncia contra Maciel

O documento estrutura as acusações em diferentes episódios e sustenta que eles deveriam ser analisados conjuntamente pela Câmara.

Um dos núcleos envolve Rogério Lopes da Silva, identificado na denúncia como presidente da Associação Jardim de Allah e assessor parlamentar do vereador Antônio Augusto Queijinho.

Segundo a peça, publicações e manifestações relacionadas a Rogério teriam utilizado expressões como “tentativas de extorsão”. O próprio documento ressalta que a apuração deveria verificar o contexto das declarações e se houve elementos capazes de sustentar a expressão utilizada.

A denúncia também aborda um episódio envolvendo o deputado estadual Dr. Igino. O texto atribui a Maciel manifestações públicas relacionadas a acusações que, segundo o denunciante, ainda estariam em apuração.

Nesse ponto, o autor pede que a Câmara investigue a origem das informações, a eventual participação de integrantes do gabinete e se recursos ou estruturas públicas teriam sido utilizados.

Terceiro núcleo envolve documentos e dados pessoais

Outro trecho extenso da denúncia trata de documentos encontrados em dependências da Câmara.

Segundo o relato apresentado pelo denunciante, em 10 de setembro ele teria localizado papéis na área central de convivência utilizada pelos gabinetes. A peça afirma que os documentos continham informações relacionadas a Kelton Campos Leal e familiares.

A denúncia sustenta que deveria ser investigada a origem dessas informações e como o material teria chegado às dependências do Legislativo.

O documento não apresenta essa origem como fato definitivamente estabelecido. Ao contrário, pede diligências para tentar determinar de onde os dados teriam sido obtidos, quem teria produzido ou impresso o material e se equipamentos ou recursos institucionais foram utilizados.

Entre as medidas solicitadas estão análise de registros de impressão, acessos a sistemas, identificação de usuários e equipamentos e preservação de imagens de videomonitoramento.

Denúncia pede preservação de imagens e registros

A preservação de provas ocupa parte significativa do documento.

O denunciante pede que sejam mantidas imagens de câmeras, registros de impressão, filas de impressão, identificação de usuários, estações de trabalho, registros de rede e outras informações que, segundo a peça, poderiam ajudar a reconstruir a origem dos documentos e das ações narradas.

A denúncia também relaciona materiais que pretende utilizar como elementos de prova, incluindo vídeos, fotografias, mensagens, documentos e registros relacionados aos episódios mencionados.

Isso não significa que todo o material listado já tenha sido validado pela Câmara ou que confirme as acusações. Parte das providências solicitadas busca justamente produzir ou preservar elementos para uma eventual apuração.

Pedido inclui apuração sobre assessores

O documento também solicita investigação sobre a eventual participação de servidores ligados ao gabinete.

Em um dos trechos, a própria denúncia faz uma ressalva importante: afirma que não sustenta responsabilidade objetiva de Maciel pelos atos eventualmente praticados por assessores.

O autor defende, porém, que seja investigado se houve ordem, autorização, conhecimento ou participação do vereador em alguma das condutas narradas.

Também são solicitadas providências administrativas caso seja comprovado envolvimento funcional de servidores.

Autor pede cassação do mandato

Nas páginas finais, o denunciante divide sua argumentação em três infrações que pretende ver analisadas pela Câmara.

A primeira está relacionada ao episódio envolvendo Rogério Lopes e à utilização da expressão “tentativas de extorsão”. A segunda trata das manifestações relacionadas ao deputado Dr. Igino.

A terceira concentra as alegações envolvendo Kelton Campos Leal, documentos encontrados nas dependências da Câmara, eventual utilização de recursos públicos e possível participação de integrantes do gabinete.

Com base nesse conjunto, o denunciante pede a instauração do procedimento e, ao final, a cassação do mandato de Dr. Maciel Amorim.

O pedido, entretanto, não equivale à cassação nem demonstra que o vereador tenha cometido as irregularidades narradas. Cabe à Câmara analisar o documento e definir seu encaminhamento conforme o procedimento aplicável.

Zezinho encaminhou denúncia para análise jurídica

A documentação obtida pelo Regionalzão também mostra uma movimentação anterior ao registro que aparece na capa do processo.

Em ofício datado de 18 de setembro, o presidente da Câmara, Zezinho Mendonça, encaminhou a denúncia à Procuradoria da Casa para “análise e manifestação jurídica”, citando alegações de possível quebra de decoro parlamentar e pedido de cassação.

O despacho solicita que a Procuradoria analise os fatos e pedidos apresentados e indique as providências juridicamente cabíveis.

O encaminhamento ganha relevância porque Zezinho já havia declarado ao Regionalzão, ao comentar outros pedidos de cassação apresentados ao Legislativo, que denúncias sem elementos suficientes não deveriam avançar.

“O que não tem subsídio, o que não tem fundamento, não vai”, afirmou na ocasião.

A declaração anterior não antecipa, porém, qual será a conclusão da Presidência ou da Procuradoria sobre a Denúncia nº 8/2026.

Maciel diz não ter sido comunicado

Em nota enviada ao Regionalzão, Dr. Maciel Amorim afirmou que, até aquele momento, não havia tomado conhecimento formal de qualquer ato, procedimento ou pedido de cassação.

“Caso exista algum pedido nesse sentido, o parlamentar ressalta que aguardará ser oficialmente comunicado pelos canais institucionais competentes, para que possa tomar ciência do seu conteúdo e exercer plenamente seu direito de defesa e o contraditório, nos termos da legislação vigente.”

O vereador acrescentou que mantém compromisso com a transparência, o respeito às instituições e o exercício responsável do mandato.

A posição foi enviada antes do registro da Denúncia nº 8/2026 no sistema legislativo nesta quarta-feira (30).

Veja a denúncia na íntegra

O documento disponibilizado à reportagem possui 26 páginas e reúne a petição, pedidos de diligências, requerimentos de preservação de provas e o pedido final de cassação.

Denúncia:

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