Desembargadores de Uberlândia e região ganham espaço no TJMG e TRE-MG

A presença de magistrados ligados a Uberlândia e ao Triângulo Mineiro nas cúpulas do Judiciário mineiro chama atenção nos bastidores jurídicos.

Adelino Júnior
desembagadores reunidos para elição
Participaram da eleição 146 desembargadores, que votaram em urnas eletrônicas e de forma remota. Euler Junior / TJMG

A nova composição da direção do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais abriu espaço para uma leitura regional importante.

Uberlândia e o Triângulo Mineiro passam a ter nomes com trajetória, formação ou vínculo direto com a região em posições estratégicas do Judiciário estadual e eleitoral.

O movimento não muda apenas a fotografia institucional dos tribunais. Também reforça a presença de quadros formados ou consolidados fora da capital em áreas de alta influência administrativa, correcional e eleitoral.

Raimundo Messias chega à Corregedoria-Geral

No TJMG, o principal destaque regional é o desembargador Raimundo Messias Júnior. Ele foi eleito corregedor-geral de Justiça para o biênio 2026–2028.

A eleição foi confirmada em sessão do Tribunal Pleno, realizada em 27 de abril. A posse dos novos dirigentes está prevista para 1º de julho de 2026, conforme divulgado pela Amagis.

Raimundo Messias é uberlandense e formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia. A chegada dele à Corregedoria tem peso político-institucional.

A Corregedoria é uma das áreas mais sensíveis do Judiciário. Ela acompanha a atuação da primeira instância, trata de rotinas administrativas e exerce papel central na fiscalização dos serviços judiciais.

Em termos práticos, é uma cadeira de comando. E, agora, ocupada por um magistrado com raiz direta em Uberlândia.

Órgão Especial e Conselho também têm nomes ligados à região

A presença regional não para na Corregedoria.

O desembargador José Luiz de Moura Faleiros foi eleito para compor o Órgão Especial do TJMG. Ele tem histórico de atuação em Uberlândia, onde foi juiz criminal e professor por vários anos.

O Órgão Especial é um dos espaços mais relevantes do Tribunal. Decide temas administrativos e judiciais de grande impacto interno e institucional.

No Conselho da Magistratura, a desembargadora Régia Ferreira de Lima também aparece entre os nomes eleitos. Ela é egressa da Faculdade de Direito da UFU e atuou como juíza em Uberaba e em outras cidades do Triângulo Mineiro.

Essas presenças indicam um avanço simbólico e prático. A região deixa de ser apenas origem de demandas judiciais relevantes. Passa a ocupar mais espaço na engrenagem decisória do Judiciário mineiro.

TRE-MG também terá forte marca regional

No campo eleitoral, o cenário também chama atenção.

O desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga foi eleito presidente do TRE-MG. A eleição ocorreu em 13 de abril, segundo o próprio Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.

Carlos Henrique é graduado pela Faculdade de Direito da UFU e tem ligação familiar com Uberlândia. Ele é filho do juiz Paulo Batista Braga, nome lembrado no meio jurídico local.

A vice-presidência do TRE-MG ficará com o desembargador Sálvio Chaves. Ele nasceu em Monte Carmelo, viveu parte da trajetória em Uberlândia e é filho do desembargador aposentado Fábio Chaves, que atuou como juiz na cidade na década de 1970.

Pela composição atual do TRE-MG, a vice-presidência também acumula a função de Corregedoria Regional Eleitoral. Isso amplia ainda mais o peso político-institucional da cadeira.

Outro nome com ligação direta com a região é o desembargador federal Lincoln Rodrigues de Faria. Ele integra a Corte Eleitoral como desembargador federal. Também é formado pela Faculdade de Direito da UFU, foi professor da instituição e atuou por muitos anos como juiz federal em Uberlândia.

Leitura política

A fotografia é relevante por dois motivos.

O primeiro é institucional. O Triângulo Mineiro passa a ter representação qualificada em posições de comando ou influência no TJMG e no TRE-MG.

O segundo é simbólico. Em um estado historicamente centralizado em Belo Horizonte, nomes vinculados a Uberlândia, Uberaba, Monte Carmelo e à UFU ganham protagonismo em cortes que decidem temas sensíveis para todo o território mineiro.

Isso não significa regionalização das decisões. Tribunais atuam por critérios técnicos, legais e institucionais. Mas a presença de magistrados com trajetória no interior ajuda a ampliar a leitura sobre realidades fora da capital.

No ano em que Minas se prepara para uma eleição de grande peso político, a composição do TRE-MG também será observada com atenção. A Justiça Eleitoral terá papel central no controle do processo, na análise de registros, na propaganda eleitoral e na condução administrativa do pleito.

Para Uberlândia e região, a nova configuração deixa um recado claro: o Triângulo Mineiro não está apenas no mapa econômico e político de Minas. Também aparece, com mais força, no alto escalão do Judiciário.

Conteúdo faz parte da Coluna Poder, assinada por Adelino Júnior, que acompanha os bastidores da política no Triângulo Mineiro. Envie informações e sugestões à coluna pelo WhatsApp: (34) 99791-0994.

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